segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Bento XVI abre o Sínodo dos Bispos para Igreja no Oriente Médio com apelo à paz e à justiça



Na missa bentoxvi_sinodoabertura do Sínodo para o Médio Oriente, na Basílica de São Pedro, no Vaticano, neste domingo, 10, o papa Bento XVI pediu um esforço comum das religiões e da comunidade internacional em favor da paz no Médio Oriente, recusando “qualquer expressão de violência”.
“Todos são chamados a dar o seu próprio contributo: a comunidade internacional, apoiando um caminho fiável, leal e construtivo em direcção à paz; as religiões mais presentes na região, promovendo os valores espirituais e culturais que unem os homens e excluem qualquer expressão de violência”, disse o Papa.
O Sínodo é uma assembleia consultiva de bispos que representam o episcopado católico, convocados para ajudar o Papa no governo da Igreja.
A Reunião
A Assembleia deve reunir 185 participantes até o dia 24 deste mes discutindo o tema “A Igreja Catolica no Oriente Medio: comunhao e testemunho. ‘A multidao dos fieis tinham um so coraçao e uma so alma’” (At 4,32). Do Brasil, participa o arcebispo de Aparecida (SP) e presidente do Conselho Episcopal Latino-americando, dom Raymundo Damasceno Assis.
Lembrando “a delicada e muitas vezes dramática situação social e política de alguns países”, o papa defendeu a necessidade de “favorecer as condições de paz e de justiça, indispensáveis para um desenvolvimento harmoniosos de todos os habitantes da região”.
A unidade das Igrejas católicas árabes também esteve no centro da intervenção do papa que uma maior “comunhão da Igreja Católica no Médio Oriente”.
“É a terra de Abraão, de Isaac e de Jacob; a terra do Êxodo e do regresso do exílio; a terra do Templo e dos Profetas; a terra em que o Filho Unigénito nasceu de Maria, ali viveu morreu e ressuscitou; é o berço da Igreja, constituída para levar o Evangelho de Cristo até aos confins do mundo”, disse.
Bento XVI destacou a importância de promover a unidade “no interior de cada Igreja, entre todos os seus membros” e nas relações com as outras Igrejas.
“Não obstante as dificuldades, os cristãos da Terra Santa são chamados a reavivar a consciência de serem pedras vivas da Igreja no Médio Oriente, junto dos Lugares santos da nossa salvação”, acentuou.
CNBB/Ecclesia

A CRIAÇÃO E A QUEDA (por santo Atanásio) Padres do deserto.

Hospitalidade de Abrãao e Sarah


 

Em nosso Livro anterior tratamos suficientemente sobre alguns dos principais pontos do culto pagão dos ídolos, e como estes falsos deuses surgiram originalmente. Nós também, pela graça de Deus, indicamos brevemente que o Verbo do Pai é Ele mesmo divino, que todas as coisas que existem devem seu próprio ser à sua vontade e poder e que é através dEle que o Pai dá ordem à criação, por Ele que todas as coisas são movidas e através dEle que recebem o seu ser. 
Agora, Macário, verdadeiro amante de Cristo, devemos dar um passo a mais na fé de nossa sagrada religião e considerar também como o Verbo se fêz homem e surgiu entre nós. Para tratar destes assuntos é necessário primeiro que nos lembremos do que já foi dito. Deves entender por que o Verbo do Pai, tão grande e tão elevado, se manifestou em forma corporal. Ele não assumiu um corpo como algo condizente com a sua própria natureza, mas, muito ao contrário, na medida em que Ele é Verbo, Ele é sem corpo. Manifestou-se em um corpo humano por esta única razão, por causa do amor e da bondade de seu Pai, pela salvação de nós homens.
Começaremos, portanto, com a criação do mundo e com Deus seu Criador, pois o primeiro fato que deves entender é este: a renovação da Criação foi levada a efeito pelo mesmo Verbo que a criou em seu início. Em relação à criação do Universo e à criação de todas as coisas têm havido uma diversidade de opiniões, e cada pessoa tem proposto a teoria que bem lhe apraz. Por exemplo, alguns dizem que todas as coisas são auto originadas e, por assim dizer, totalmente ao acaso. Entre estes estão os Epicúreos, os quais negam terminantemente que haja alguma Inteligência anterior ao Universo. Outros fazem seu o ponto de vista expressado por Platão, aquele gigante entre os Gregos. Ele disse que Deus fêz todas as coisas da matéria pre-existente e incriada, assim como o carpinteiro faz as suas obras da madeira que já existe. Mas os que sustentam esta opinião não se dão conta que negar que Deus seja Ele próprio a causa da matéria significa atribuir-Lhe uma limitação, assim como é indubitavelmente uma limitação por parte do carpinteiro que ele não possa fazer nada a não ser que lhe esteja disponível a madeira. Então, finalmente, temos a teoria dos Gnósticos, que inventaram para si mesmos um Artífice de todas as coisas, outro que não o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. Estes simplesmente fecham os seus olhos para o sentido óbvio das Sagradas Escrituras. Tais são as noções que os homens têm elaborado. Mas pelo divino ensinamento da fé cristã nós sabemos que, pelo fato de haver uma Inteligência anterior ao Universo, este não se originou a si mesmo; por ser Deus infinito, e não finito, o Universo não foi feito de uma matéria pré-existente, mas do nada e da absoluta e total não existência, de onde Deus o trouxe ao ser através do Verbo.

Ele diz, neste sentido, no Gênesis:

"No início Deus
criou o Céu e a Terra";
e novamente, através daquele valiosíssimo livro ao qual chamamos "O Pastor":

"Crêde primeiro
e antes de tudo o mais
que há apenas um só Deus
o qual criou e ordenou a todas as coisas
trazendo-as da não existência ao ser."
Paulo também indica a mesma coisa quando nos diz:

"Pela fé conhecemos
que o mundo foi formado
pela Palavra de Deus,
de tal modo que as coisas visíveis
provieram das coisas invisíveis". (Heb. 11, 3)
Pois Deus é bom, ou antes, Ele é a fonte de toda a bondade, e é impossível por isso que Ele deva algo a alguém. Não devendo a existência a ninguém, Ele criou a todas as coisas do nada mediante seu próprio Verbo, nosso Senhor Jesus Cristo, e de todas as suas criaturas terrenas ele reservou um cuidado especial para a raça humana. A eles que, como animais, eram essencialmente impermanentes, Deus concedeu uma graça de que as demais criaturas estavam privadas, isto é, a marca de sua própria Imagem, uma participação no ser racional do próprio Verbo, de tal modo que, refletindo-O, eles mesmos se tornariam racionais expressando a Inteligência de Deus tanto quanto o próprio Verbo, embora em grau limitado. Deste modo, os homens poderiam continuar para sempre na bem aventurada e única verdadeira vida dos santos no paraíso. Como a vontade do homem poderia, porém, voltar-se para vários caminhos, Deus assegurou-lhes esta graça que lhes havia concedido condicionando-a desde o início a duas coisas. Se eles guardassem a graça e retivessem o amor de sua inocência original, então a vida do paraíso seria sua, sem tristeza, dor ou cuidados, e após ela haveria a certeza da imortalidade no céu. Mas se eles se desviassem do caminho e se tornassem vis, desprezando seu direito natal à beleza, então viriam a cair sob a lei natural da morte e viveriam não mais no paraíso, mas, morrendo fora dele, continuariam na morte e na corrupção. Isto é o que a Sagrada Escritura nos ensina, ao proclamar a ordem de Deus:

"De todas as árvores que estão no jardim
vós certamente comereis,
mas da árvore do conhecimento do bem e do mal
não havereis de comer,
pois certamente havereis de morrer".
"Certamente havereis de morrer", isto é, não apenas morrereis, mas permanecereis no estado de morte e corrupção. Estarás talvez a divagar por que motivo estamos discutindo a origem do homem se nos propusemos a falar sobre o Verbo que se fêz homem. O primeiro assunto é de importância para o último por este motivo: foi justamente o nosso lamentável estado que fêz com que o Verbo se rebaixasse, foi nossa transgressão que tocou o seu amor por nós. Pois Deus havia feito o homem daquela maneira e havia querido que ele permanecesse na incorrupção. Os homens, porém, tendo voltado da contemplação de Deus para o mal que eles próprios inventaram, caíram inevitavelmente sob a lei da morte. Em vez de permanecerem no estado em que Deus os havia criado, entraram em um processo de uma completa degeneração e a morte os tomou inteiramente sob o seu domínio. Pois a transgressão do mandamento os estava fazendo retornarem ao que eles eram segundo a sua natureza, e assim como no início eles haviam sido trazidos ao ser a partir da não existência, passaram a trilhar, pela degeneração, o caminho de volta para a não existência. A presença e o amor do Verbo os havia chamado ao ser; inevitavelmente, então, quando eles perderam o conhecimento de Deus, juntamente com este eles perderam também a sua existência. Pois é somente Deus que existe, o mal é o não-ser, a negação e a antítese do bem. Pela natureza, de fato, o homem é mortal, já que ele foi feito do nada; mas ele traz também consigo a Semelhança dAquele Que É, e se ele preservar esta Semelhança através da contemplação constante, então sua natureza seria despojada de seu poder e ele permaneceria indegenerescente. De fato, é isto o que vemos escrito no Livro da
Sabedoria:

"A observância de Suas Leis
é a garantia da imortalidade". (Sab. 6, 18)
E, incorrompido, o homem seria como Deus, conforme o diz a própria Escritura, onde afirma:

"Eu disse:
`Sois deuses,
e todos filhos do Altíssimo.
Mas vós como homens morrereis,
caireis como um príncipe qualquer'". (Salmo 81, 6)
Esta, portanto, era a condição do homem. Deus não apenas o havia feito do nada, mas também lhe tinha graciosamente concedido a Sua própria vida pela graça do Verbo. Os homens, porém, voltando-se das coisas eternas para as coisas corruptíveis, pelo conselho do demônio, se tornaram a causa de sua própria degeneração para a morte, porque, conforme dissemos antes, embora eles fossem por natureza sujeitos à corrupção, a graça de sua união com o Verbo os tornava capazes de escapar na lei natural, desde que eles retivessem a beleza da inocência com a qual haviam sido criados. Isto é o mesmo que dizer que a presença do Verbo junto a eles lhes fazia de escudo, protegendo-os até mesmo da degeneração natural, conforme também o diz o Livro da Sabedoria:

"Deus criou o homem para a imortalidade
e como uma imagem de sua própria eternidade;
mas pela inveja do demônio
entrou no mundo a morte". (Sab. 2, 23)
Quando isto aconteceu os homens começaram a morrer e a corrupção correu solta entre eles, tomou poder sobre os mesmos até mais do que seria de se esperar pela natureza, sendo esta a penalidade sobre a qual Deus os havia avisado prevenindo-os acerca da transgressão do mandamento. Na verdade, em seus pecados os homens superaram todos os limites. No início inventaram a maldade; envolvendo-se desta maneira na morte e na corrupção, passaram a caminhar gradualmente de mal a pior, não se detendo em nenhum grau de malícia, mas, como se estivessem dominados por uma insaciável apetite, continuamente inventando novo tipos de pecados. Os adultérios e os roubos se espalharam por todos os lugares, os assassinatos e as rapinas encheram a terra, a lei foi desrespeitada para dar lugar à corrupção e à injustiça, todos os tipos de iniqüidades foram praticados por todos, tanto individualmente como em comum. Cidades fizeram guerra contra cidades, nações se levantaram contra nações, e toda a terra se viu repleta de divisões e lutas, enquanto cada um porfiava em superar o outro em malícia. Até os crimes contrários à natureza não foram desconhecidos, conforme no-lo diz o Apóstolo mártir de Cristo:

"Suas próprias mulheres
mudaram o uso natural em outro uso,
que é contra a natureza;
e os homens também,
deixando o uso natural da mulher,
arderam nos seus desejos um para com o outro,
cometendo atos vergonhosos com o seu próprio sexo,
e recebendo em suas próprias pessoas
a recompensa devida pela sua perversidade". (Rom. 1, 26-7)

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Historia de Martinho Lutero e quando formou a reforma protestante.

Vida e Obra de Martinho Lutero
Biografia.
Martinho Lutero nasceu em 10 de novembro de 1483, em Eisleben, Alemanha. Foi criado em Mansfeld. Na sua fase estudantil, foi enviado às escolas de latim de Magdeburg(1497) e Eisenach(1498-1501). Ingressou na Universidade de Erfurt, onde obteve o grau de bacharel em artes (1502) e de mestre em artes (1505).
Seu pai, um aldeão bem sucedido pertencente a classe média, queria que fosse advogado. Tendo iniciado seus estudos, abruptamente, os interrompeu entrando no claustro dos eremitas agostinianos em Erfurt. É um fato estranho na sua vida, segundo seus biógrafos. Alguns historiadores dizem que este fato aconteceu devido a um susto que teve quando caminhava de Mansfeld para Erfurt. Em meio a uma tempestade, quase foi atingido por um raio. Foi derrubado por terra e em seu pavor, gritava "Ajuda-me Santa Ana! Eu serei um monge!". Foi consagrado padre em 1507.
Entre 1508 e 1512, fez preleções de filosofia na Universidade de Wurtenberg, onde também ensinou as Escrituras, especializando-se nas Sentenças de Pedro Lombardo. Em 1512 formou-se Doutor em Teologia.
Fazia conferências sobre Bíblia, especializando-se em Romanos, Gálatas e Hebreus. Foi durante este período que a teologia paulina o influenciou, percebendo os erros que a Igreja Romana ensinava, à luz dos documentos fundamentais do cristianismo primitivo.
Lutero era homem de envergadura intelectual e habilidades pessoais. Em 1515, foi nomeado vigário, responsável por onze mosteiros. Viu-se envolvido em controvérsias com respeito a venda de indulgências.
Suas Lutas Pessoais.
Lutero estava galgando os escalões da Igreja Romana e estava muito envolvido em seus aspectos intelectuais e funcionais. Por outro lado, também estava envolvido em questões pessoais quanto à salvação pessoal. Sua vida monástica e intelectual não forneciam resposta aos seus anseios interiores, às suas aflitivas indagações.
Seus estudos paulinos deixaram-no mais agitado e inseguro, particularmente diante da afirmação "o justo viverá pela fé", Romanos 1:17. Percebia ele que a Lei e o cumprimento das normas monásticas, serviam tão-somente para condenar e humilhar o homem, e que nesta direção não se pode esperar qualquer ajuda no tocante à salvação da alma.
Martinho Lutero, estava trabalhando em "repensar o evangelho". Sendo monge agostiniano, fortemente influenciado pela teologia desta ordem monástica, paulina quanto aos seus pontos de vista, Lutero estava chegando a uma nova fé, que enfatizava a graça de Deus e a justificação pela fé.
Esta nova fé tornou-se o ponto fundamental de sua preleções. No seu desenvolvimento começou a criticar o domínio da filosofia tomista sobre a teologia romana. Ele estudava os escritos de Agostinho, Anselmo e Bernardo de Claraval, descobrindo nestes, a fé que começava a proclamar. Staupitz, orientou-o para que estudasse os místicos, em cujos escritos se consolou.
Em 1516, publicou o devocionário de um místico desconhecido, "Theologia Deutsch". Tornou-se pároco da igreja de Wittenberg, e tornou-se um pregador popular, proclamando a sua nova fé. Opunha-se a venda de indulgências comandada por João Tetzel.
As Noventa e Cinco Teses.
Inspirado por vários motivos, particularmente a venda de indulgências, na noite antes do Dia de Todos os Santos, a 31 de outubro de 1517, Lutero afixou na porta da Igreja de Wittenberg, sua teses acadêmicas, intituladas "Sobre o Poder das Indulgências". Seu argumento era de que as indulgências só faziam sentido como livramento das penas temporais impostas pelos padres aos fiéis. Mas Lutero opunha-se à idéia de que a compra das indulgências ou a obtenção das mesmas, de qualquer outra maneira, fosse capaz de impedir Deus de aplicar as punições temporais. Também dizia que elas nada têm a ver como os castigos do purgatório. Lutero afirmava que as penitências devem ser praticadas diariamente pelos cristãos, durante toda a vida, e não algo a ser posto em prática apenas ocasionalmente, por determinação sacerdotal.
João Eck, denunciou Lutero em Roma, e muito contribuiu para que o mesmo fosse condenado e excluído do Igreja Romana. Silvester Mazzolini, padre confessor do papa, concordou com o parecer condenatório de Eck, dando apoio a este contra o monge agostiniano.
Em 1518. Lutero escreveu "Resolutiones", defendendo seus pontos de vista contra as indulgências, dirigindo a obra diretamente ao papa. Entretanto, o livro não alterou o ponto de vista papal a respeito de Lutero. Muitas pessoas influentes se declararam favoráveis a Martinho Lutero, tornando-se este então polemista popular e bem sucedido. Num debate teológico em Heidelberg, em 26 de abril de 1518, foi bem sucedido ao defender suas idéias.
Reação Papal.
A 7 de agosto de 1518, Lutero foi convocado a Roma, onde seria julgado como herege. Mas apelou para o príncipe Frederico, o Sábio, e seu julgamento foi realizado em território alemão em 12/14 de outubro de 1518, perante o Cardeal Cajetano, em Augsburg. Recusou-se a retratar-se de suas idéias, tendo rejeitado a autoridade papal, abandonando a Igreja Romana, o que ficou confirmado num debate em Leipzig com João Eck, entre 4 e 8 de julho de 1519.
A partir de então Lutero declara que a Igreja Romana necessita de Reforma, publica vários escritos, dentre os quais se destaca "Carta Aberta à Nobreza Cristã da Nação Alemã Sobre a Reforma do Estado Cristão". Procurou o apoio de autoridades civis e começou a ensinar o sacerdócio universal dos crentes, Cristo como único Mediador entre Deus e os homens, e a autoridade exclusiva das Escrituras, em oposição à autoridade de papas e concílios. Em sua obra "Sobre o Cativeiro Babilônico da Igreja", ele atacou o sacramentalismo da Igreja. Dizia que pelas Escrituras só podem ser distinguidos dois sacramentos o batismo e a Ceia do Senhor. Opunha-se à alegada repetida morte sacrificial de Cristo, por ocasião da missa. Em outro livro, "Sobre a Liberdade Cristã", ele apresentou um estudo sobre a ética cristã baseada no amor.
Lutero obteve grande popularidade entre o povo, e também considerável influência no clero.
Em 15 de julho de 1520, a Igreja Romana expediu a bula Exsurge Domine, que ameaçava Lutero de ser excomungado, a menos que se retratasse publicamente. Lutero queimou a bula em praça pública. Carlos V, Imperador do Santo Império Romano, mandou queimar os livros de Lutero em praça pública.
Lutero compareceu a Dieta de Worms, de 17 a 19 de abril de 1521. Recusou-se a retratação, dizendo que a sua consciência estava presa à Palavra de Deus, pelo que a retratação não seria seguro nem correto. Dizem os historiadores que concluiu a sua defesa com estas palavras : "Aqui estou; não posso fazer outra coisa. Que Deus me ajude. Amém". Respondendo a Dieta em 25 de maio de 1521, formalizou a excomunhão de Martinho Lutero, e a Reforma nascente também foi condenada.
Influência Política e Social
Por medidas de precaução, Lutero este recluso no castelo de Frederico, o Sábio, cerca de 10 meses. Teve tempo de trabalhar na tradução do Novo Testamento para a língua alemã. Esta tradução foi publicada em 1532. Com a ajuda de Melancton e outros, a Bíblia inteira foi traduzida, e, então, foi publicada em 1532. Finalmente, essa tradução unificou os vários dialetos alemães, do que resultou o moderno alemão.
Tem-se dito que Lutero foi o verdadeiro líder da Alemanha, de 1521 até 1525. Houve a Guerra dos Aldeões em 1525, das classes pobres contra os seus líderes. Lutero tentou estancar o derramamento de sangue, mas, quando os aldeões se recusaram a ouvi-lo, ele apelou para os príncipes a fim de restabelecerem a paz e a ordem.
Fato notável foi o casamento de Lutero, com Catarina von Bora, filha de família nobre, ex-freira cisterciana. Tiveram seis filhos, dos quais alguns faleceram na infância. Adotou outros filhos. Este fato serviu para incentivar o casamento de padres e freiras que tinham preferido adotar a Reforma. Foi um rompimento definitivo com a Igreja Romana.
Houve controvérsia entre Lutero e Erasmo de Roterdã, que nunca deixou a Igreja Romana, por causa do livre-arbítrio defendido por este. Apesar de admitir que o livre-arbítrio é uma realidade quanto a coisas triviais, Lutero negava que fosse eficaz no tocante à salvação da alma.
Outras Obras.
Em 1528 e 1529, Lutero publicou o pequeno e o grande catecismos, que se tornaram manuais doutrinários dos protestantes, nome dado aqueles que decidiram abandonar a Igreja Romana, na Dieta de Speyer, em 1529.
Juntamente com Melancton e outros, produziu a confissão de Augsburg, que sumaria a fé luterana em vinte e oito artigos. Em 1537, a pedido de João Frederico, da Saxônia, compôs os Artigos de Schmalkald, que resumem seus ensinamentos.
Enfermidade e Morte.
Os últimos dias de Lutero tornaram-se difíceis devido a problemas de saúde. Com freqüência tinha acesso de melancolia profunda. Apesar disso era capaz de trabalhar tenazmente. Em 18 de fevereiro de 1546, em Eisleben, teve um ataque do coração, vindo a falecer.
A Teologia de Lutero.
Como monge agostiniano, Lutero dava preferência a certos estudos, dentre os quais se destacam a soberania de Deus, dando uma abordagem mais bíblica às questões religiosas e às doutrinas cristãs. Alguns pontos defendidos por Lutero são :
  1. Nem o papa nem o padre, tem o poder de remover os castigos temporais de um pecador.
  2. A culpa pelo pecado não pode ser anulada por meio de indulgências.
  3. Somente um autêntico arrependimento pode resolver a questão da culpa e do castigo, o que depende única e exclusivamente de Cristo.
  4. Só há um Mediador entre Deus e os homens, o homem Jesus Cristo.
  5. Não há autoridade especial no papa.
  6. As decisões dos concílios não são infalíveis.
  7. A Bíblia é a única autoridade de fé e prática para o cristão.
  8. A justificação é somente pela fé.
  9. A soberania de Deus é superior ao livre-arbítrio humano.
  10. Defendia a doutrina da consubstanciação em detrimento da transubstanciação.
  11. Há apenas dois sacramentos : o batismo e a ceia do Senhor.
  12. Opunha-se a veneração dos santos, ao uso de imagens nas Igrejas, às doutrinas da missa e das penitências e ao uso de relíquias.
  13. Contrário ao celibato clerical.
  14. Defendia a separação entre igreja e estado.
  15. Ensinava a total depravação da natureza humana.
  16. Defendia o batismo infantil e a comunhão fechada.
  17. Defendia a educação dos fiéis em escolas paroquianas.
  18. Repudiava a hierarquia eclesiástica.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Posição da Emmir Nogueira sobre a questão política no Brasil

Queridos Irmãos,
Shalom!
Há dias tenho me contido para evitar escrever a vocês e a outros amigos de forma mais clara sobre o que estamos correndo o risco de viver. Entretanto, o Evangelho de hoje ( a luz colocada no alto e nao sob o alqueire) questionou-me bastante e o e-mail de um irmao santo sensato e querido veio a confirmar minha lectio.
Infelizmente, com uma possível vitória do PT, estaremos entrando mais diretamente do que agora no que está sendo chamado de “comunismo moderno”. A par disso, todos os escândalos, distorçoes da verdade, mentiras deslavadas e manipulaçao de toda espécie constituem ameaça especial. Será que, daqui a alguns meses, poderemos estar escrevendo um e-mail tao aberto como esse? Será que nao apenas os valores da fé católica (como acontece hoje) como a própria fé nao estarao sendo perseguidos, questionados, despresados? Será que agora mesmo, nesse instante, o sigilo de meu e-mail pessoal nao está sendo rompido?
Falo a vocês como uma pessoa, católica, que nao quer ser uma luz sob um alqueire. Nao falo como formadora ou como co-fundadora. Falo como católica que lê no Catecismo que todo aquele que promover o aborto ou colaborar com ele (e é esse o caso do voto dado ao PT) está automaticamente excomungado. Falo como católica que precisa levar o Evangelho com liberdade a todos os que nao conhecem Jesus. Falo como católica que crê ser o Evangelho e o Magistério a Verdade e a felicidade para todos. Como dizia o Evangelho desse domingo, ou Deus, ou o dinheiro. Nosso povo está esquecendo-se de Deus em nome do dinheiro, está idolatrando um pseudo bem-estar como se “ter um celular no bolso” fosse capaz de apagar todos os erros absurdos do governo e da candidata do governo. É interessante o que os artigos abaixo dizem sobre isso. Se você quiser saber mais, abra o “you-tube” e digite “Dilma”. Seus olhos terao mais razoes para abrir-se e rezar, pedindo ao Deus dos Impossíveis, que faça um milagre em favor do Brasil.
Repito que falo como cidadã, como pessoa, como irmã.
Deus nos abençoe a todos e nos livre de todo mal. Dinheiro, especialmente o ilusório, nao é tudo!
Passo a vocês trecho de artigo da revista canadense. Logo a seguir, Dirceu, que, ao convidar Dilma para substituí-lo na Casa Civil, chamou-a de “MInha companheira de armas”.
“O purgatório brasileiro está prestes a começar.
A triste verdade sobre as próximas eleições no Brasil é que não será decidida com base em princípios ou valores. Ninguém se importa se Dilma Roussef tenha assassinado ou roubado. É apenas o populismo na forma mais cruel. Ela é a senhora Lula. Os pobres se beneficiaram um pouco do fim da inflação, e se esqueceram que esta situação foi herdada por Lula.
O interessante é que o Partido dos Trabalhadores não é comunista nem o que auxilia os trabalhadores. IBGE, a principal instituição de estatística no Brasil, acaba de lançar a informação dando conta que o analfabetismo no Brasil aumentou, durante o reinado de Lula. O saneamento básico está no mesmo nível que era no momento da sua coroação. 50 mil brasileiros morrem mortes violentas, a maioria causados por armas e drogas contrabandeadas para o país pelos terroristas marxistas das FARC, os aliados de Lula. A próxima Copa do Mundo será no Rio de Janeiro.
(…)
FASCISMO
Esta é uma economia fascista, na sua mais pura definição. Mussolini estaria orgulhoso.
É difícil para o povo a entender como o comunismo mudou a partir de uma utopia social para este fascismo na forma mais primata. O motivo é que eles mantêm a aparência sob o velho charme por causas culturais, como o aborto livre, o casamento gay, o globalismo, o radicalismo ecológico, etc. Assim como na China, dizem-lhe como viver sua vida particular.
Censura ou “controle da mídia” está na agenda de Dilma, da mesma forma como se encontra em pleno andamento na Argentina e Venezuela hoje em dia.
A privacidade fiscal de oponentes Dilma foi quebrada sem consequências. Os direitos fundamentais garantidos pela Constituição nada valem para o Partido dos Trabalhadores, e eles estão desafiando os direitos de propriedade.
Um grupo de camponeses comunistas, todos financiados e liderados por agitadores profissionais, invadem fazendas, matam pessoas (como o fazem agora) e a questão será decidida por consulta popular, da comuna.
Estamos sendo preparados para sermos peões do governo mundial.
Prevejo tempos difíceis à frente para o Brasil. Dilma é incompetente e teimosa. A dívida pública do Brasil quase triplicou, e está prestes a explodir, devido às altas taxas de juros.
O boom da exportação de minerais e agro-commodities, que impulsionaram a popularidade de Lula, pode acabar a qualquer momento, especialmente se uma crise pesada atingir o dólar.
O nível de tributação no Brasil é um dos mais altos do mundo, com 40,5%, e a burocracia, com 85 diferentes impostos na última contagem, é astronômica. Eles não serão mais capazes de aumentar os impostos para sustentar os vagabundos empregados do governo e a alta corrupção.
Quando o governo quebrar, as ajudas sociais que apoiaram a popularidade de Lula estarão em risco. Sem o crescimento das exportações, haverá menos postos de trabalho, e é possível que nós venhamos a ter tumultos e protestos.
As coisas têm sempre sido muito fáceis neste país, onde o alimento cresce até nas rachaduras na calçada.
Talvez já esteja na hora de os brasileiros amadurecerem pelo sofrimento.
PS: O pai de Dilma era búlgaro. Ele fugiu de seu país porque ser um comunista ativista .Surpreendentemente no Brasil, era um capitalista e muito rico. Dilma teve uma vida burguesa muito previlegiada, vivendo em uma casa grande e estudando em escolas privadas. É sempre bom fazer parte da elite comunista.”
O projeto petista
Rodrigo Constantino
O ex-ministro José Dirceu voltou à cena, fazendo um discurso no mínimo constrangedor para a campanha de Dilma, que tenta se manter estrategicamente afastada dele. Dirceu quis deixar claro que a vitória de Dilma nas eleições representaria a escolha popular do projeto do PT para o país. Segundo ele, a vitória de Dilma será ainda mais importante para o partido do que a de Lula, uma vez que o presidente seria “duas vezes maior” que o PT. Representantes do PMDB chegaram a se manifestar, lembrando que Dilma representa uma coligação, e não apenas o PT. Mas para o poderoso Dirceu, os eleitores estarão votando no projeto petista de governo. Resta perguntar: que projeto é esse?
Afinal, o projeto enviado para o TSE pelo PT, contando com a rubrica de Dilma, era uma compilação dos sonhos autoritários dos petistas, na linha da “revolução bolivariana” feita por Chávez na Venezuela. O controle da imprensa, para dar um exemplo de fundamental importância, estaria na ordem do dia segundo este projeto. Como a própria Dilma não desmentiu nem rebateu as afirmações de Dirceu, e como este ainda parece apitar bastante dentro do partido, não temos porque duvidar de suas palavras. O recado está dado, e de forma um tanto clara. Os eleitores, pela ótica dos próprios petistas do alto escalão, estariam dando seu aval ao projeto autoritário de poder no dia 3 de outubro. Será que o povo está ciente disso? Não falo dos mais ignorantes que trocam seu voto por migalhas e promessas vazias, mas dos eleitores de maior escolaridade e renda que votam em Dilma. Eles não são poucos!
(Nao é demais lembrar que o Serra, em um encontro com eleitores pediu que levantasse a mao quem sabia o que era o escândalo da Casa Civil. Menos de 10 pessoas levantaram o braço! Realmente, é ter um celular e uma tv o que realmente importa: o velho e conhecido “Pao e Circo”!)
Caso o PT seja bem-sucedido em seu projeto de poder, será difícil alegar surpresa. Quem tem acesso aos jornais, quem viu a fala de Dirceu, quem tem um mínimo de capacidade de compreensão dos fatos não poderá fingir que não sabia de nada depois, se caminharmos mais alguns longos passos em direção ao modelo venezuelano. Dirceu avisou. E Dirceu ainda é PT. Não custa lembrar, já que a memória do brasileiro costuma ser fraca, o que Dirceu disse no auge do escândalo do “mensalão”, sobre sua relação com o presidente Lula: “Não faço nada que não seja de comum acordo e determinado por ele”. E se o recado não estivesse cristalino ainda, Dirceu fez questão de dissipar quaisquer dúvidas: “Sou um soldado do partido e do governo”.
O simples fato de José Dirceu ainda ter a relevância que tem dentro do PT, e de fazer as articulações políticas para a campanha de Dilma, demonstra que ele falava a verdade na época. Não aparecer em público na campanha é apenas uma estratégia de marketing, uma vez que sua imagem ainda está arranhada perante o grande público – tanto que a oposição tem batido nesta tecla, lembrando que o eleitor vota em Dilma e leva Dirceu. Mas não existe confissão maior de culpa do PT como um todo no escândalo do “mensalão” do que a permanência de Dirceu na cúpula de poder do partido. O presidente Lula chegou a dizer que tinha sido traído na época; mas sabemos que não foi por Dirceu. Afinal, quem é traído e mantém o traidor por perto, repleto de poder? Somente aquele que não foi traído de verdade, mas sim cúmplice. Dirceu sabe demais. Ele é um “soldado” do partido, e fez tudo de “comum acordo” com o presidente Lula.
O projeto petista é, portanto, aquele defendido por estas mesmas pessoas poderosas dentro do PT. O projeto é o mesmo que contou com o “mensalão” para comprar deputados e concentrar o poder político. O projeto é o mesmo que colocou Erenice Guerra, braço-direito de Dilma, no cargo poderoso que já foi de Dirceu. A explosão de novos escândalos que culminou na saída de Erenice do ministério, mas não do círculo de confiança de Dilma e Lula, representa apenas mais um capítulo desta novela proibida para menores de idade. O projeto petista, enfim, é um só e o mesmo de sempre: tomar o poder total de uma vez, calar a imprensa independente que ainda incomoda muito, e partir para a “revolução bolivariana” brasileira. Hugo Chávez sabe disso e aplaude abertamente o projeto, declarando seu regozijo com a quase certa vitória de Dilma. Seus eleitores não poderão, insisto, alegar desconhecimento dos fatos no futuro.
É muito triste vivenciar uma época em que as futuras vítimas escolhem de bom grado o caminho da servidão. Resta apenas o consolo do filósofo Schopenhauer, cuja morte faz 150 anos dia 21 de setembro: “É preciso ser paciente, pois um homem de intelecção justa entre pessoas enganadas assemelha-se àquele cujo relógio funciona com precisão numa cidade na qual todos os relógios de torre fornecem a hora errada”.
Nós, católicos, nao podemos ser esses tolos!!!
Maria Emmir Oquendo Nogueira
Co-fundadora da Comunidade Católica Shalom

domingo, 3 de outubro de 2010

Primeira focolarina beatificada A luz de Chiara a Igreja aposta nesta juventude busquemos não desaponta-la.

Na época das débeis paixões civis e das incertezas existenciais a Igreja propõe uma jovem mulher - Chiara Badano, falecida com pouco menos de vinte anos, desgastada por uma doença que assusta - como exemplo da possibilidade de sair dos entorpecimentos da alma e de vidas sem alegria nem esperança. Hoje que a fé cristã volta a ser um caminho estreito que se escolhe, só aparentemente a nova beata é uma questão de interesse meramente católico, concluída entre os confins de um ritual religioso. O modo como Chiara viveu a sua vida, que imprevistamente se tornou demasiado breve para não suscitar arrependimentos, a sua beatificação encerra fortes mensagens e cruza-se com perguntas comuns a homens e mulheres de todos os lugares e convicções. Chiara Badano não é um exemplo de cristianismo sentido como resíduo de lendas exaltantes para pessoas simples, mas ao contrário exemplo de liberdade de espírito encarnada dentro das dinâmicas quotidianas do nosso viver na contemporaneidade, quando nas sociedades mais secularizadas perguntamos se a fé religiosa não é uma evasão supérflua. Um cristianismo que muda a vida porque engloba a mente e o coração. Antes de tudo dos jovens, mas também de quem quer que procure um sentido. Beatificando uma jovem a Igreja coloca-se em séria escuta do pedido de autenticidade que se eleva dos jovens a todos os tipos de autoridade. A jovem Chiara obteve a sabedoria de vida não tanto em teorias abstractas quanto numa decisão típica da adolescência que, ao contrário, os adultos vivem com desencanto: apostar tudo e imediatamente no amor, com a vontade de o tornar eterno. Que é depois o denominador comum nos santos, prescindindo da idade do registo civil: são todos apaixonados por Jesus Cristo, escolhido como o bem total da própria vida. Deste seguimento fazem brotar uma vida com energias inimagináveis empregues a favor da felicidade dos outros. Os santos alcançam a própria felicidade consumindo-se no serviço ao próximo, sobretudo pobres e débeis, considerados imagens vivas de Deus. Trata-se de uma felicidade misteriosa e resistente ao mal e aos sofrimentos dos quais está permeado o enredo de vida de cada um. Com a santidade não se propõe uma vida de magia ou de poderes paranormais mas um caminho onde todos, sem distinção, têm a possibilidade de se encaminhar e que são capazes de percorrer vivendo o Evangelho e o mandamento maior nele contido: amarás a Deus com todas as tuas forças e ao próximo como Jesus Cristo te amou. Chiara Badano é uma jovem que, por muito tempo, se apaixonou com fervor de Jesus Cristo. Tendo vivido e falecido na companhia deste grande amor, não teve tempo para o seu sofrimento, mas olhos e coração para os outros. Em constante diálogo com este Vivente, sem pregar, tornou-se uma prova concreta que Deus não é uma aventura para a qual orientar às escuras a nossa aposta da vida, mas um interlocutor interessante que, se for procurado e questionado, pode mudar a qualidade do viver e do morrer humanos. Quando a Igreja reconhece a santidade de um jovem ou de uma moça, acende uma vela na escuridão dos tempos em vez de amaldiçoar a sua escuridão. À percepção da fadiga de viver experimentada quotidianamente por cada um, acrescenta-se que a vida não é só aqui, que o sentido da existência não está encerrado apenas entre o nascimento e a morte e que, se amamos, podemos viver responsavelmente até com alegria todos os tipos de sofrimento e de precariedade. Os jovens são por definição portadores de vida e conciliam-se mal com o sofrimento. Da juventude sentimos saudades e inveja; é um bem desejado mas passageiro. A santidade cristã tem muito a ver com este sentimento humano, porque o vive e procura curá-lo com algumas garantias diversas da ciência: o amor, a capacidade de amar é o único elixir que garante a juventude do coração e do espírito até no declínio físico mais repugnante e irreprimível. Mais do que um raciocínio, os santos são um percurso de vida concreta. A Igreja julga-se sobre os santos e não só sobre os pecadores. Todas as vezes que ela proclama beata ou santa uma pessoa, sobretudo se é jovem, renova a sua determinação a melhorar-se a si mesma. Bento XVI aposta nos santos do século XXI o bom êxito de uma verdadeira reforma da Igreja iniciada pelo Concílio Vaticano II. Chiara Badano é a primeira pessoa pertencente ao movimento dos focolares que se torna beata. Outra grande Chiara, fundadora deste vasto movimento de homens e mulheres que gostariam de transformar o mundo com amor, ao nome da sua jovem discípula, quis acrescentar o de Luz, a tal ponto que a nova beata é indicada como Chiara Luce Badano. E a luz interior, sabemos, abre a mente e desperta o coração.

Jovem Chiara Luce Badano é beatificada



Chiara Badano conquista devotos com ajuda da troca de informações pela internet
Foram necessários apenas 25 minutos para que a jovem Chiara "Luce" (Luz) Badano desse um "sim" definitivo e irrevogável a Jesus.


Jovens de todas as partes do mundo acompanham com ansiedade celebrações da Igreja Católica, marcadas para o próximo sábado (25) e domingo (26) em Roma. É quando o papa Bento XVI vai oficializar a beatificação de Chiara Badano, uma jovem italiana, que morreu em 1990. Uma candidata à santa bastante moderna, e com devotos que não poupam os recursos de comunicação atuais para fazê-la cada dia mais conhecida. 
Não é comum que o rigoroso processo de canonização da Igreja reconheça tão rapidamente as virtudes de um cristão e o apresente como modelo de vida a ser seguido. No caso de Chiara Badano é ainda notável que as autoridades eclesiais tenham se convencido que uma garota de apenas 18 anos tenham alcançado um elevado grau de maturidade espiritual.

A história de Chiara vem sendo divulgada nos últimos anos pelas mais diversas redes sociais da internet e o perfil dela no Facebook reúne mais de 10 mil pessoas, muitas não católicas , que não se cansam de manifestar a intenção de acompanhar a cerimônia na Itália.
A simpatia por Chiara parece ter relação com o seu estilo de vida absolutamente comum , combinado com uma fé religiosa demonstrada de modo particular um ano antes da sua morte, quando soube que tinha um tumor maligno nos ossos. 

As manifestações de brasileiros na rede de microblogs Twitter confirmam:
“precisamos de santos sem véu ou batina. precisamos de santos de calça jeans e tênis”
“precisamos de santos que vão ao cinema, ouvem música e passeiam com os amigos”

Quem foi Chiara ?
Chiara nasceu na cidadezinha de Sasselo, no norte da Itália. Filha única de pais que esperaram 11 anos pela gravidez tão desejada. Segundo a família, desde pequena demonstrou muita preocupação com os mais necessitados e no Jardim da Infância dizia que queria ser médica para cuidar dos doentes na África. 
Os amigos contam que ela era uma criança alegre e bastante ativa, mas com uma sensibilidade para as coisas divinas.
Aos 9 anos de idade conheceu o movimento Gen (Geração Nova), um ramo juvenil do Movimento dos Focolares (www.focolares.org.br). Viveu a sua espiritualidade e pouco a pouco envolveu também os pais na proposta de colocar Deus em primeiro lugar de sua vida.

Na adolescência se dividia entre os estudos e a prática de esportes. Um dos momentos mais marcantes da adolescência foi quando acabou reprovada na escola e teve que enfrentar a dor da humilhação e recomeçar. Sobre esse episódio ela escreveu:
«Este ano estou numa classe e numa seção nova, porque estou repetindo o ano. Quando entrei pela primeira vez na sala de aula tinha um certo receio, porque não conhecia ninguém e tinha medo de ser facilmente posta de lado pelos outros. Depois pensei que podia assemelhar-me um pouco a Jesus Abandonado e entrei cheia de alegria. Os colegas foram muito simpáticos comigo e já nos conhecemos todos. Então pedi a Jesus para estar sempre pronta a querer-lhes bem, em cada momento».
A jovem tinha freqüentes dores no ombro esquerdo, mas não dava importância. Aos 17 anos, durante uma partida de tênis, teve que largar a raquete porque a dor aguda a impedia de jogar.
Exames confirmaram que ela tinha um osteossarcoma, um tumor maligno muito grave. Os pais contam que ao receber o diagnóstico ela se fechou no quarto por 25 minutos em silêncio.
Ao sair, disse sorrindo à mãe que tinha conversado com Jesus através de uma oração e que estava disposta a aceitar o difícil tratamento que viria: “Se é o que você quer, Jesus, é o que eu quero também”.

O bispo de Turim a visitava no hospital e confirmou que todos, inclusive médicos ateus, ficavam desconcertados com o clima de paz e alegria que a jovem irradiava. Os amigos que a visitavam para consolá-la voltavam para casa consolados. Pouco antes de falecer, ela revelou: “Vocês não podem imaginar como é agora o meu relacionamento com Jesus... Sinto que Deus me pede algo mais, algo maior. Talvez seja ficar neste leito por anos, não sei. Interessa-me unicamente a vontade de Deus, fazê-la bem no momento presente: aceitar os desafios de Deus. Se agora me perguntassem se quero andar (a doença chegou a paralisar as pernas com contrações muito dolorosas), eu diria não, porque assim estou mais perto de Jesus”.

Quando já era evidente que os esforços médicos não tinham efeito, viu a mãe preocupada e disse: “Confie em Deus, pois você fez tudo. Quando eu tiver morrido, siga Deus e encontrará a força para ir em frente”. 

A Igreja Católica reconhece em Chiara Badano um exemplo que poderá inspirar muitos outros jovens a fazer a Vontade de Deus, nas circunstâncias mais simples até as mais dolorosas.

A sua “fama de santidade” se estendeu imediatamente em várias partes do mundo. Em Campinas, a estudante da Unicamp, Cíntia Botelho Dias, diz que considera Chiara Badano um exemplo de que não é preciso se isolar do mundo para ter um relacionamento profundo com Deus. Ao ler a história da jovem italiana, ficou muito impressionada com a força que ela demonstrou nos momentos mais difíceis da doença. “ Sempre que me encontro com alguma dificuldade cotidiana me lembro que o meu sofrimento é muito pequeno perto do que ela passou e que, como ela, devo superar cada barreira.”
Veja outros depoimentos publicados na Internet :
“Enquanto a sociedade nos leva a nos distanciarmos de tudo que é sofrimento e incômodo, Chiara nos ensina a abraçar as dificuldades e a transformá-las em amor ao próximo”. (Paulo, da Itália)

“É um modelo para todos os jovens. Isso me ajudará a nadar na contracorrenteza do mundo consumista em que vivemos”. (Elsy, dos Estados Unidos).
Dom Livio Maritano, Bispo da Diocese de Acqui, no dia 11 de junho de 1999 abriu o Processo pela a Causa de Canonização. No dia 3 de julho de 2008 ela foi declarada Venerável com o reconhecimento do exercício heróico das virtudes teologais e cardeais.

Milagre 
No dia 19 de dezembro de 2009, o Papa Bento XVI reconheceu um milagre atribuído à intercessão da Venerável Chiara Badano, e assinou o Decreto para a sua Beatificação.
Programação em Roma (horários de Brasília)
Sábado, dia 25 de setembro

11h – Missa com o rito de beatificação, no Santuário de Nossa Senhora do Divino Amor

15h30 - “Chiara Luce Badano LIFE LOVE LIGHT”. Programa que se realizará na grande sala de eventos Paulo VI, no Vaticano. O programa foi preparado por um grupo de jovens de diversas partes do mundo e tem o objetivo de comunicar a originalidade da vida de Chiara Luce com a linguagem do teatro, da música e dos testemunhos de vida.

Deus quer que sirvamos o próximo

No Angelus o Papa recordou São Vicente de Paulo, padroeiro das organizações caritativas 

Chiara Badano testemunha que o amor é mais forte que o mal e a morte

Deus ama os pobres e pede-nos para servir os outros na caridade: disse o Papa no Angelus de domingo, 26 de Setembro, no pátio interno do Palácio Pontifício de Castel Gandolfo.Bento XVI recordou a figura de São Vicente de Paulo e falou da nova beata, Chiara Badano, testemunha do amor que "dá a verdadeira felicidade".
Queridos irmãos e irmãs! No Evangelho deste domingo (Lc 16, 19-31), Jesus narra a parábola do homem rico e do pobre Lázaro. O primeiro vive no luxo e no egoísmo, e quando morre, vai para o inferno. Ao contrário, o pobre, que se alimenta com as migalhas que caem da mesa do rico, quando morre é levado pelos anjos para a casa eterna de Deus e dos santos. "Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o Reino de Deus" (Lc 6, 20). Mas a mensagem da parábola vai além: recorda que, enquanto estivermos neste mundo, devemos ouvir o Senhor que nos fala mediante as sagradas Escrituras e viver segundo a sua vontade, caso contrário, depois da morte, será demasiado tarde para se corrigir. Portanto, esta parábola diz-nos duas coisas: a primeira é que Deus ama os pobres e eleva-os da sua humilhação; a segunda é que o nosso destino eterno está condicionado pela nossa atitude, compete a nós seguir o caminho que Deus nos mostrou para alcançar a vida, e este caminho é o amor, entendido não como sentimento, mas como serviço aos outros, na caridade de Cristo.
Por uma feliz coincidência, amanhã celebraremos a memória litúrgica de São Vicente de Paulo, padroeiro das organizações caritativas católicas, do qual ocorre o 350º aniversário da morte. Na França de 1600, ele viveu directamente o forte contraste entre os mais ricos e os mais pobres. De facto, como sacerdote, frequentou quer os ambientes aristocráticos, quer os rurais, assim como as periferias de Paris. Estimulado pelo amor de Cristo, Vicente de Paulo soube organizar formas estáveis de serviço às pessoas marginalizadas, dando vida às chamadas "Charitées", as "Caridades", isto é grupos de mulheres que destinavam o seu tempo e os seus bens aos mais marginalizados. Entre estas voluntárias, algumas escolheram consagrar-se totalmente a Deus e aos pobres, e assim, juntamente com Santa Luísa de Marillac, São Vicente fundou as "Filhas da Caridade", primeira congregação feminina que viveu a consagração "no mundo", no meio do povo, com os doentes e os necessitados.
Queridos amigos, só o Amor com o "A" maiúsculo dá a verdadeira felicidade! Demonstra-o também outra testemunha, uma jovem, que ontem foi proclamada Beata aqui em Roma. Falo de Chiara Badano, uma jovem italiana nascida em 1971, que uma doença levou à morte com pouco menos de 19 anos, mas que foi para todos um raio de luz, como diz o seu sobrenome: "Chiara Luce". A sua paróquia, a diocese de Acqui Terme e o Movimento dos Focolares, ao qual pertencia, estão hoje em festa - é uma festa para todos os jovens, que podem encontrar nela um exemplo de coerência cristã. As suas últimas palavras, de adesão total à vontade de Deus, foram: "Mãe, adeus. Sê feliz porque eu sou feliz". Louvemos a Deus, porque o seu amor é mais forte que o mal e a morte; e agradeçamos à Virgem Maria que conduz os jovens, também através das dificuldades e dos sofrimentos, a apaixonar-se por Jesus e a descobrir a beleza da vida.