Cidade do Vaticano, 26 dez (RV) - "A caridade é a verdadeira força que transforma o mundo": assim se expressou o Papa ao término do almoço com cerca de 250 pobres assistidos pelas diversas comunidades romanas das Missionárias da Caridade, que se realizou neste domingo numa das dependências da Sala Paulo VI, no Vaticano, por ocasião do centenário de nascimento da Beata Madre Teresa de Calcutá.
Encontravam-se presentes também muitos religiosos e religiosas, aos quais o Santo Padre agradeceu por seus humilde serviço aos mais necessitados. Ao término do almoço teve lugar a saudação também da Superiora Geral das Missionárias da Caridade, Irmã Prema.
Com sua participação, o Papa evidenciou a alegria de partilhar o Natal com quem é pobre, sozinho e marginalizado, como também com quem doa a sua vida aos outros de modo humilde e discreto.
A mesma alegria anunciada pelos anjos aos pastores de Belém diante da gruta que acolheu o Salvador foi vivida na dependência da Sala Paulo VI, onde Bento XVI almoçou com os referidos 250 pobres acompanhados de numerosos religiosos e religiosas da grande Família fundada por Madre Teresa de Calcutá.
"A criança que vemos na gruta é Deus mesmo que se fez homem para mostrar-nos como nos quer bem, como nos ama: Deus tornou-se um de nós para fazer-se próximo a cada um, para vencer o mal, para libertar-nos do pecado, para dar-nos esperança, para dizer-nos que jamais estamos sozinhos" – frisou o Pontífice.
E detendo-se justamente sobre o testemunho de vida de Madre Teresa, Bento XVI definiu-a como um reflexo de luz do amor de Deus:
"A Beata Teresa de Calcutá viveu a caridade para com todos sem distinção, mas com uma preferência pelos mais pobres e abandonados: um sinal luminoso da paternidade e da bondade de Deus. Soube reconhecer em cada um o rosto de Cristo, por ela amado com todo o seu ser."
"A caridade é sempre a verdadeira força que transforma o mundo." Por isso, a quem se pergunta por que Madre Teresa se tornou tão famosa, Bento XVI responde:
"Porque viveu de modo humilde e anônimo, por amor e no amor a Deus. Ela mesma afirmava que o seu maior prêmio era amar Jesus e servi-lo nos pobres."
Graças a Madre Teresa – disse ainda o Papa – nos damos conta de como a nossa vida pode mudar, de como a nossa alma pode tornar-se espelho da luz de Cristo e iluminar os outros.
"Ela deu-nos a consolação e a certeza de que Deus jamais abandona alguém, e a sua missão – afirmou o Pontífice – continua através daqueles que em todos os cantos do mundo vivem o seu carisma escolhendo ser missionários da Caridade."
Em seguida, Bento XVI agradeceu a todos aqueles que doam a própria vida aos outros, muitas vezes de modo anônimo aos olhos dos homens, mas extraordinário e precioso para o coração de Deus:
"Para o homem muitas vezes em busca de felicidades ilusórias, o testemunho de vida de vocês diz onde se encontra a verdadeira alegria: no partilhar, no doar, no amar com a mesma gratuidade de Deus que rompe a lógica do egoísmo humano."
Em seguida, o Papa saudou os hóspedes, os amigos e a todos os presentes que partilharam este momento alegre de comunhão e fraternidade. "Caros amigos! Saibam que o Papa os quer bem" – ressaltou. (RL)
Venho através de este partilhar anseios de minha pobre vida e também formações sobre a Igreja de nosso senhor Jesus Cristo.
quinta-feira, 6 de janeiro de 2011
terça-feira, 4 de janeiro de 2011
São Pedro Fourier Pároco, fundador e reformador
Desconhecido no Brasil, foi entretanto um grande santo, em algo semelhante ao Cura d’Ars como pároco, a São João Bosco como fundador, a São Pedro de Alcântara como reformador e a Santo Afonso de Ligório como missionário
São Pedro Fourier nasceu a 30 de novembro de 1565 em Mirecourt, nos Vosges, região da Lorena (França), então um ducado independente. Seus pais o consagraram especialmente a Deus e o destinaram — caso correspondesse aos seus anseios — para o serviço dos altares. Deus aceitou benigno esse oferecimento, cumulando o menino de graças especiais.
Pedro teve assim, desde cedo, muita inclinação para a virtude, especialmente para a pureza. Desde muito pequeno, não tolerava que se deixasse descoberta nenhuma parte de seu corpo, mesmo quando se tratava de trocá-lo. Chorava inconsoladamente, sossegando apenas quando inteiramente vestido. Então sorria, e tornava-se meigo e aprazível.
À medida que crescia, tornava-se mais modesto em seus olhares, moderado em seu riso, inocente nos modos de agir, fazendo transparecer, em todos os divertimentos da idade, uma maturidade que provocava a admiração de todos que o observavam.
Mas sobretudo o que nele atraía e encantava era uma profunda bondade de coração. Todos se sentiam bem com ele, e sabia-se que, ele presente, não haveria críticas vãs, rivalidades, brigas, disputas nem outras coisas muito freqüentes entre crianças quando entra o amor próprio.
Aos 15 anos de idade foi enviado à Universidade de Pont-à-Mousson, onde um tio paterno era reitor, a qual gozava na época de grande fama devido a seus excelentes mestres.
Pedro seguiu o curso na universidade como se estivesse num convento. Passou a comer uma só vez ao dia, e de preferência a comida mais grosseira. Suprimiu o uso do vinho, tão comum naquelas terras. Só bebia água, e ainda assim moderadamente. Para preservar a pureza e obter controle sobre si mesmo, passou a flagelar seu corpo e a usar disciplinas, que só tirava para dormir.
A proteção de Nossa Senhora foi para ele fundamental. Sobretudo recorria incessantemente à Rainha do Céu para que o tomasse sob sua proteção e não permitisse que jamais falta voluntária viesse tisnar-lhe a pureza virginal. Por devoção à Virgem, ingressou na Congregação Mariana da universidade. Ao chegar à maturidade, era de estatura alta e majestosa, semblante benévolo e presença muito agradável.
Pedro aprendeu tão bem o latim, que lia correntemente o que os autores haviam escrito de mais difícil nessa língua. Aprendeu também o grego, de modo a ler obras de São João Crisóstomo e de outros Padres gregos da Igreja no original.
Ótimo aluno, com muita facilidade para compreender e bem explicar o que aprendera, alguns gentis-homens rogaram-lhe fosse tutor de seus filhos, o que aceitou. Isso lhe seria de muito proveito no futuro para a congregação que fundaria, dedicada ao ensino.
Maus tratos, tentativa de assassinato
Apesar da sua profunda humildade, quando noviço foi mal visto pelos outros religiosos, porque sua observância exímia do regulamento era para eles uma constante censura. Enfim, ele perseverou e recebeu a ordenação sacerdotal em 1589. Seu superior enviou-o novamente à universidade de Pont-à-Mousson para completar seus estudos de teologia sob a direção de seu parente, João Fourier, que também teve a glória de haver formado São Francisco de Sales.
Após ter-se aprofundado no estudo da teologia, Sagradas Escrituras e obras dos Padres da Igreja, voltou para seu convento, pelo desejo de seus superiores de que ali ele restabelecesse a antiga regularidade e fervor.
Sem criticar ou queixar-se, procurava conquistar seus confrades pelo exemplo. A tática não surtiu efeito, pois os maus odeiam os bons porque são bons. Três ou quatro membros dos mais irregulares da comunidade ligaram-se contra ele, submetendo-o a toda sorte de confusões, chacotas e maus tratos; inclusive atentaram contra sua vida, procurando envenená-lo. Mas Pedro comia tão pouco, que não lhe fez mal o veneno que lhe ministraram. Sua mortificação salvou-lhe a vida.
Vigário de aldeia, exemplo de vida para todos
São Pedro Fourrier logo constatou que a ignorância religiosa, a sede de prazeres, a heresia e o ateísmo haviam criado profundas raízes na cidade. Antecedendo o Santo Cura d’Ars em quase 200 anos, começou a reconquistar seus paroquianos, um a um. Ia às casas, onde procurava reunir três ou quatro famílias, ensinando-lhes os preceitos do Evangelho. Inculcava-lhes de tal maneira os princípios de nossa salvação, que emocionava os assistentes.
Ele ia ao encontro dos libertinos e alcoólatras e lhes atirava em face sua impiedade e malícia. Tudo isso fruto de uma caridade, uma ternura e um tal interesse pela salvação de suas almas, que os tocava a fundo.
Mas havia também a conquistar os “espíritos fortes” da cidade. Depois de muito rezar e fazer penitência por eles, Pedro Fourier tomava uma atitude extremamente caridosa: ia à casa desses ímpios e, com voz tonitruante, autoridade e firmeza, os exprobrava, por sua impiedade. Depois, no tribunal da penitência, ele obtinha duradouros frutos.
Todos sabiam que o pároco era tudo para todos. Estava sempre pronto, a qualquer hora do dia ou da noite, a atender qualquer caso. Visitava os doentes e também as escolas, informando-se da conduta dos alunos, aperfeiçoando-lhes os métodos e ensinando ele mesmo o catecismo às crianças.
Os artesãos e comerciantes caídos em desgraça eram por ele socorridos. Criou para socorrê-los um fundo, chamado de Bolsa de São Evre. Os nobres empobrecidos e envergonhados encontravam nele um apoio seguro.
Para conjurar a cólera de Deus, manifestada nos flagelos naturais como enchentes ou secas, recorreu à Santíssima Virgem como advogada e instituiu três sodalícios –– um de São Sebastião para os homens, e dois para as mulheres: do Santo Rosário e da Imaculada Conceição, ou Filhas de Maria. Fez cunhar uma medalha com os dizeres: Maria foi concebida sem pecado”, que distribuiu por toda a Lorena. Assim, mais de 200 anos antes da proclamação desse dogma, ele divulgou essa devoção à Mãe de Deus.
Houve um projeto de São Pedro Fourier que seria muito apropriado para nossos dias, especialmente para o Brasil, onde todos se afogam numa infinidade de leis e processos. O santo via que, quanto mais se multiplicavam os oficiais de justiça, tanto mais lentos eram os processos. Ele adotava a máxima de Santo Agostinho: “Não processos, ou terminá-los depressa”. E concebeu uma associação na qual se engajariam os personagens mais nobres e mais influentes da cidade. Acompanhados de alguns advogados escolhidos entre os mais hábeis, eles deviam trabalhar para terminar amigavelmente os processos e dificuldades surgidas. Se uma das partes envolvidas, julgando ter inteira razão, se recusasse a esse acordo amigável, haveria uma caixa comum da qual a outra parte, se necessitada, pegaria o dinheiro necessário para o prosseguimento do processo, sem que ninguém sofresse dano com isso. As guerras de religião, que se seguiram, impediram a realização desse plano.
São Pedro Fourier mudou a face de Mattaincourt, que se transformou num como que oásis, no qual floresciam as virtudes cristãs. O uso dos sacramentos passou a ser freqüente, os casados viviam em boa harmonia, muitos jejuavam ou usavam instrumentos de mortificação, e mesmo levavam seu cilício e seu terço ao trabalho.
Educar a juventude para salvar a sociedade
Nessa faina, teve contacto profundo com os vícios e a corrupção de costumes da sociedade, o que lhe sangrava o coração. O que podia fazer para solucionar essa situação? Depois de muito rezar e meditar, chegou à conclusão de que era necessário educar a mocidade, logo que capaz de instrução, e submetê-la à direção de pessoas sábias e piedosas. Formando os jovens desde cedo, os preservaria dos males do século. Tentou então fundar uma obra para a educação dos meninos e outra para a das meninas. Entretanto só teve êxito com a obra para as meninas. Estava reservada a São João Batista de la Salle, algum tempo depois, a educação dos meninos.
Um grupo de donzelas, por ele dirigidas, declarou que estavam dispostas a se consagrar a Deus na obra que ele meditava. Surgiu assim a Congregação de Nossa Senhora das Cônegas Regulares de Santo Agostinho, que logo se espalhou pela Lorena e pela França. Antes de sua morte, São Pedro Fourier pôde ver trinta e dois mosteiros solidamente estabelecidos. Foi ele, assim, o precursor das várias congregações dedicadas ao ensino, que surgiram depois na Igreja.
A caridade de São Pedro Fourier era entretanto muito mais ampla, e abraçava outras obras de apostolado. Por isso, em 1621 ele se pôs a trabalhar na reforma da decadente Ordem dos Cônegos Regulares, numa antiga abadia de São Remígio, de Luneville, com seis noviços. Deus abençoou de tal modo essa empresa que, quatro anos depois, já oito casas das mais consideráveis abraçavam sua reforma. Em 1629 formaram a Congregação de Nosso Salvador.
Em 1625 São Pedro foi enviado para tentar a conversão dos habitantes do Principado de Salm, próximo de Nancy, que tinham apostatado e abraçado o calvinismo. Em seis meses todos os protestantes, a quem ele chamava de “pobres estrangeiros”, retornaram à fé.
Uma das suas mais profundas dores nesse tempo foi a de saber que, em sua cara cidade de Mattaincourt, 40 pessoas haviam ficado possessas do demônio e constituíam fontes de desordens na igreja e na paróquia. Acorreu logo em socorro de suas antigas ovelhas, e por meio de exorcismos, jejuns, preces e penitências conseguiu livrar seus antigos paroquianos da possessão diabólica.
Por sua fidelidade à Casa de Lorena, São Pedro Fourier teve que exilar-se no Franco Condado, então espanhol, onde faleceu no dia 9 de dezembro de 1640.
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
João Paulo II e Maria
Dia 17 de outubro de 1978, poucas horas depois de ter sido eleito Papa, João Paulo II dirigiu-se ao mundo, apresentando as grandes linhas de seu pontificado. Quando se referiu à Mãe de Jesus, comentou: “Nesta hora, marcada para nós pela surpresa e responsabilidade, não podemos deixar de voltar, com filial devoção, o nosso olhar para a Virgem Maria [...], repetindo as palavras comovedoras totus tuus (todo teu), que há vinte anos gravamos em nosso coração e em nossas armas, no dia da ordenação episcopal”.
Vinte e cinco anos depois, constatamos que Karol Wojtyla continua olhando para Maria e aproveitando momentos solenes ou encontros pessoais, visitas a santuários internacionais ou a pequenas grutas para renovar sua “consagração a Cristo pelas mãos de Maria” (RMa 48), como meio eficaz para viver fielmente seus compromissos.
Se tivéssemos que destacar um pensamento que sintetize a mariologia do Papa, teríamos um imenso desafio pela frente pois, além de ele ter escrito a encíclicaRedemptoris Mater e a carta apostólica Rosarium Virginis Mariae, reservou a Nossa Senhora capítulos de alguns documentos (como não lembrar “Na Escola de Maria, Mulher ‘Eucarística’”, da Ecclesia de Eucharistia?), fez dezenas de alocuções às quartas-feiras, sobre o lugar da Bem-aventurada Virgem Maria no mistério de Cristo e da Igreja, centenas de homilias marianas e lhe dedicou um número incalculável de orações e consagrações. Aceitando o possível desafio, escolhemos uma frase que não só resume sua visão mariana, como também sintetiza a razão de seu totus tuus: “Importa reconhecer que, antes do que quaisquer outros, o próprio Deus, o Pai eterno, confiou-se à Virgem de Nazaré,dando-lhe o próprio Filho no mistério da Encarnação” (RMa 39 – o itálico, também das frases que seguem, é do original).
Na linha do Concílio Vaticano II, para João Paulo II é impensável uma mariologia desvinculada do Filho que ela acolheu na Anunciação: “Só no mistério de Cristo“se esclarece” plenamente o seu mistério... Maria está unida a Cristo de um modo absolutamente especial e excepcional... Maria recebe a vida daquele ao qual ela própria, na ordem da geração terrena, deu a vida como mãe” (RMa 4, 8 e 10).
Não é de admirar que o Papa tenha desejado dedicar ao Rosário, sua “oração predileta” (RVM), o ano que antecederia a celebração de seus vinte e cinco anos à frente da Igreja. Quis, assim, incentivar “a contemplação do rosto de Cristo na companhia e na escola de sua Mãe Santíssima. Com efeito, recitar o Rosário nada mais é senão contemplar com Maria o rosto de Cristo” (id. 3). Ele colocou como intenções do Ano do Rosário duas das maiores preocupações de seu pontificado: a paz e a família.
A missão de nos ensinar a fixar os olhos no rosto de Cristo e de nos ajudar a “reconhecer seu mistério no caminho ordinário e doloroso de sua humanidade, até perceber o brilho divino definitivamente manifestado no Ressuscitado glorificado à direita do Pai” (RVM 9) parte de uma convicção de que “a contemplação de Cristo tem em Maria o seu modelo insuperável” pois “o rosto do Filho pertence-lhe sob um título especial” (id. 10).
A mariologia do atual Papa nada tem de nova. Ele foi fortemente influenciado por S. Luís Maria Grignion de Montfort (1673-1716): “Toda a nossa perfeição consiste em sermos configurados, unidos e consagrados a Jesus Cristo. Portanto, a mais perfeita de todas as devoções é incontestavelmente aquela que nos configura, une e consagra mais perfeitamente a Jesus Cristo. Ora, sendo Maria, entre todas as criaturas, a mais configurada a Jesus Cristo, daí se conclui que, de todas as devoções, a que melhor consagra e configura uma alma a Nosso Senhor é a devoção a Maria, sua santa Mãe; e quanto mais uma alma for consagrada a Maria, tanto mais será a Jesus Cristo” (Tratado, 120 – citado na RVM 15).
Alguém duvida de que João Paulo II continuará proclamando isso até o final de seu pontificado?...
quinta-feira, 30 de dezembro de 2010
Cravos, lança, coroa de espinhos… de nosso senhor Jesus Cristo...
Cravos, lança, coroa de espinhos…. Onde se encontram essas preciosas lembranças da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo?
Todas as relíquias de Jesus Cristo, mesmo o mais simples objetos, impressionam e comovem a alma cristã, infundem profundo respeito e, ao mesmo tempo causam intensa atração. A sede de divino, inerente a todo homem, sente-se em algo atendida, ao contemplar uma delas.
Dessas inapreciáveis relíquias, o Santo Sudário de Turim é talvez a mais conhecida, em razão das reiteradas tentativas de negar sua autenticidade, todas, aliás frustradas por rigorosos testes científicos. Tudo isso foi noticiado pela grande imprensa, já de conhecimento público.
As provas científicas tem, é claro, seu valor. Mas o homem de coração reto, ao olhar para o Santo Sudário, encontra uma prova incalculavelmente mais valiosa de sua autenticidade. Qual pintor seria capaz de imaginar, de “criar” aquela fisionomia? Tanta grandeza e serenidade naquele rosto, tanto perdão e tanta censura naqueles olhos fechados, não é dado a homem algum inventar. Olha-se e crê-se! É a face de Jesus!
Escada Santa
Entretanto, muito menos conhecidas são as preciosas relíquias do Divino Mestre que um peregrino pode encontrar em Roma. Nesse sentido, é a Cidade Eterna um verdadeiro escrínio.
Entretanto, muito menos conhecidas são as preciosas relíquias do Divino Mestre que um peregrino pode encontrar em Roma. Nesse sentido, é a Cidade Eterna um verdadeiro escrínio.
A pequena distância da magnífica Basílica de São João de Latrão, poderá o fiel devotamente subir de joelhos os degraus da Escada Santa, levada de Jerusalém para Roma, Trata-se da escada do Palácio de Pôncio Pilatos, pela qual subiu Jesus quando foi apresentado à turba ululante depois da Flagelação. – o “Ecce Homo”. Inclusive, estão assinalados três pontos onde se vê a marca do divino sangue sobre o mármore branco dos degraus, agora revestidos de madeira.
Como não se comover imaginando o Homem-Deus, todo chagada, subindo por ela? Ao longo dos séculos, continuamente, gerações e gerações de enlevados fiéis tem subido de joelhos esses 28 degraus, pedindo perdão por
seus próprios pecados, ou oferecendo um ato de reparação ao Divino Redentor.
Igreja da “Santa Cruz de Jerusalém”
Saindo da Scala Santa, pode o peregrino dirigir-se a uma igreja próxima, a da Santa Cruz de Jerusalém, mandada construir em Roma pela mãe do Imperador Constantino, Santa Helena, para abrigar as relíquias da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, trazidas por ela da Terra Santa.
Em uma pequena capela, nos fundos da igreja, estão expostas essas preciosas relíquias. São elas:
Uma parte da Santa Cruz
Dirigiu-se Santa Helena à Terra Santa com o piedoso intuito de encontrar a Santa Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo. Foi informada de que provavelmente ela estaria no local do Santo Sepulcro, pois os romanos costumavam enterrar junto ao corpo do condenado os instrumentos utilizados no suplício.
Dirigiu-se Santa Helena à Terra Santa com o piedoso intuito de encontrar a Santa Cruz de Nosso Senhor Jesus Cristo. Foi informada de que provavelmente ela estaria no local do Santo Sepulcro, pois os romanos costumavam enterrar junto ao corpo do condenado os instrumentos utilizados no suplício.
Para impedir a devoção dos primeiros cristãos, o Santo Sepulcro fora coberto de entulho, sendo construído ao lado um templo para Vênus, e uma está tua para Júpiter!
Por ordem de Santa Helena, esse templo foi destruído e a estátua feita em pedaços. Em seguida, iniciaram-se as escavações. No dia 3 de maio de 326, foram encontradas no local três cruzes. Tudo indicava serem a de Nosso Redentor e as dos dois ladrões. Como, porém, saber qual a de Jesus?
Nessa perplexidade, ocorreu uma solução ao Bispo Macário: mandou tocar uma delas numa mulher muito doente, certo de que a Providência se manifestaria para revelar qual a verdadeira Santa Cruz. Ao contato com a primeira e a segunda, nada ocorreu. Quando, porém, lhe foi tocada a terceira, a mulher imediatamente recobrou por completo a saúde. Não havia mais dúvida.
Jubilosa, a Imperatriz fez erigir no local a grandiosa Basílica da Santa Cruz, também chamada Igreja do Santo Sepulcro ou da Ressurreição, onde ficou guardada a principal parte da Cruz.
Outra parte foi enviada para Constantinopla, onde Constantino a recebeu com grande devoção. Tomado de respeito por essa relíquia, o monarca proibiu desde então o suplício da crucifixão em todo o Império Romano.
A mãe do Imperador levou para Roma o restante. Um importante fragmento é venerado até hoje na mencionada “Igreja da Santa Cruz de Jerusalém”, outro na Basílica de São Pedro.
Um Cravo
Foram encontrados no mesmo local os cravos usados para pregar na Cruz o Divino Redentor. O Imperador Constantino incrustou um desses cravos em rico diadema de pérolas, usado por ele em ocasiões solenes. Em 550, os outros foram levados para Roma, pelo futuro Papa São Gregório Magno. Um deles é venerado no escrínio da “Igreja da Santa Cruz de Jerusalém”.
Foram encontrados no mesmo local os cravos usados para pregar na Cruz o Divino Redentor. O Imperador Constantino incrustou um desses cravos em rico diadema de pérolas, usado por ele em ocasiões solenes. Em 550, os outros foram levados para Roma, pelo futuro Papa São Gregório Magno. Um deles é venerado no escrínio da “Igreja da Santa Cruz de Jerusalém”.
A tabuleta INRJ
Nesse mesmo escrínio o peregrino poderá contemplar também a tabuleta com a inscrição “Jesus Nazareno Rei dos Judeus” – em hebraico, grego e latim – mandada fixar por Pilatos na Cruz do Salvador.
Nesse mesmo escrínio o peregrino poderá contemplar também a tabuleta com a inscrição “Jesus Nazareno Rei dos Judeus” – em hebraico, grego e latim – mandada fixar por Pilatos na Cruz do Salvador.
Um Espinho da Coroa
Ao contrário do que se julga, comumente, a Coroa de Espinhos de Nosso Senhor não tinha a forma de um diadema, mas a de um barrete, com 21 cm de diâmetro, cobrindo-Lhe toda a cabeça. É feita de ramos de longos espinhos trançados. Depois de colocá-la na adorável fronte de Jesus, os algozes golpearam-na de modo a provocar grandes ferimentos, como pode ser atestado pelas manchas de sangue no Santo Sudário.
A Coroa permaneceu na Basílica do Monte Sião, em Jerusalém, até 1053, quando foi levada para Constantinopla. Em 1238, o Imperador Balduíno II entregou-a – juntamente com a ponta da lança de Longinus – como penhor de
empréstimo contraído com bancos de Veneza. De comum acordo com esse Imperador, São Luís IX, Rei de França, resgatou a referida dívida e recebeuu em seu país as duas preciosas relíquias, com todas as demonstrações de veneração. O próprio rei, a rainha-mãe, inúmeros prelados e príncipes foram encontrá-los perto da cidade de Sens. São Luís e seu irmão, Roberto d’Artois, descalços, as levaram até a Catedral de Santo Estevão, nessa cidade.
Desejoso de acolher em lugar digno tão inestimáveis relíquias, o Rei santo fez construir em Paris uma verdadeira jóia da
arquitetura gótica: a Sainte Chapelle (Capela Santa), uma maravilhosa igreja de vitrais, que extasia todos quantos tem a ventura de conhecê-la.
Atualmente, a Coroa de Espinhos está nos Tesouros da Catedral de Notre Dame de Paris.
Em Roma encontra-se apenas um desses espinhos.
O dedo de São Tomé
Curiosamente, entre essas relíquias, no mesmo escrínio, está também o … dedo de São Tomé, o Apóstolo incrédulo, que tocou a chaga do lado do Divino Redentor, após a Ressurreição.
Curiosamente, entre essas relíquias, no mesmo escrínio, está também o … dedo de São Tomé, o Apóstolo incrédulo, que tocou a chaga do lado do Divino Redentor, após a Ressurreição.
A Coluna da Flagelação
Por um corredor se chega a uma pequena capela, Aí, em uma coluna bem iluminada, está exposta a Coluna da Flagelação. É impressionante1 Sua simplicidade é eloqüente. Sem ornato algum, comove profundamente.
Tem apenas 50 cm de altura, 32 cm de largura na base e 20 cm no topo, onde há uma argola de ferro na qual eram atados os supliciados. É feita de mármore branco com grossos grãos pretos.
No Santo Sudário de Turim, contam-se as marcas de mais de cem golpes de flagelo recebidos por Nosso Senhor.
A Coluna da Flagelação foi levada para Roma em 1213, no tempo do Papa Inocêncio III.
A Coluna da Flagelação foi levada para Roma em 1213, no tempo do Papa Inocêncio III.
A haste da Santa Lança
Descoberta no Santo Sepulcro, a Lança com a qual o centurião Longinus perfurou o lado do Senhor dói levada de Jerusalém para Antioquia. Na iminência da invasão moura, mãos piedosas a enterraram atrás do altar da Igreja de São Pedro. Durante a Primeira Cruzada, em 1907, os cristãos encontravam-se sitiados nessa cidade, em perigosa situação.
Descoberta no Santo Sepulcro, a Lança com a qual o centurião Longinus perfurou o lado do Senhor dói levada de Jerusalém para Antioquia. Na iminência da invasão moura, mãos piedosas a enterraram atrás do altar da Igreja de São Pedro. Durante a Primeira Cruzada, em 1907, os cristãos encontravam-se sitiados nessa cidade, em perigosa situação.
Então, um mone que teve revelação sobrenatural, indicou o,local onde ela estava enterrada. Sua descoberta despertou o entusiasmo e deu novas energias aos cruzados, que derrotaram em seguida os sarracenos.
Já vimos, acima, como a ponta da Sagrada Lança foi levada para Paris e depositada, junto com a Coroa de Espinhos, na Sainte Chapelle. Durante a Revolução Francesa, infelizmente essa preciosa relíquia desapareceu.
A haste permaneceu em Constantinopla, mesmo depois da tomada da cidade pelos turcos. E em 1492, o sultão Bajazet enviou-a ao Papa Inocêncio VIII, esclarecendo que a ponta se encontrava em poder do rei da França.
Atualmente essa haste é venerada na Basílica de São Pedro, ao lado de uma estátua de São Longinus, o centurião mártir.
A benfazeja proximidade do sobrenatural
A impressão da proximidade do sobrenatural, do amor de um Deus que se encarnou e sofreu o inimaginável para nos salvar, pervade e perfuma a alma do fiel que, contrito, contempla uma a uma as relíquias de nosso Divino Redentor.
A impressão da proximidade do sobrenatural, do amor de um Deus que se encarnou e sofreu o inimaginável para nos salvar, pervade e perfuma a alma do fiel que, contrito, contempla uma a uma as relíquias de nosso Divino Redentor.
Terminada essa “peregrinação” pelas relíquias de Jesus, nos resta na alma uma valiosa conclusão. Por vezes, assalta-nos a sensação de que Deus está distante, pouco acessível a nossos pedidos ou orações. Nada de mais falso e pernicioso para a vida espiritual! Deus está próximo de nós e ouve as nossas súplicas como se fossem as de um filho único, extremamente amado.
Luís e Zélia, os pais de Santa Teresinha
Luís e Zélia Martin - pais de Santa Teresinha de Lisieux
Luís Martin (1823-1894) e Zélia Guérin (1831-1877) foram declarados bem-aventurados em 19 de outubro de 2008. Não foram beatificados por serem os pais de Santa Teresinha, mas porque se empenharam totalmente em fazer a vontade de Deus em qualquer situação de suas vidas. Luís e Zélia, com suas vidas, nos ensinam que a santidade é caminho para a esposa, o marido, os filhos, os colegas de trabalho e para a sexualidade. O santo não é um super-homem, mas um homem verdadeiro.
Se tanto amamos Teresinha de Lisieux, se tanto nos encanta sua santidade, devemos dizer que ela é fruto de seus pais, um casal que vivia o amor de Deus tanto na alegria como nas tristezas. As muitas cartas deixadas por Zélia dão testemunho deste colocar-se inteiramente nas mãos de Deus.
«Eu amo loucamente as crianças e nasci para ter filhos», dizia Zélia. Mas, contraditoriamente, esse lar não era para existir. Aos 20 anos Luís esteve na Suíça para aprender o ofício de relojoeiro. Dirigiu-se ao Eremitério de São Bernardo, dos Cônegos Regulares de Santo Agostinho, querendo ser monge. O Prior foi direto: «Não conhece latim, nada de postulantado no Mosteiro». Luís retorna a Alençon e se dedica à oficina de conserto de relógios.
Já Zélia Guérin desejava ser admitida entre as Irmãs de São Vicente de Paulo, em Alençon. A Superiora não vê nela sinal se vocação. Decide-se então a aprender artes domésticas de bordados e confecções, abrindo pequeno negócio em Alençon e indo de casa em casa à procura de fregueses.
Luís vive ardente espiritualidade alimentada no seio das Conferências de São Vicente de Paulo, onde pôde se inserir no trabalho social e cristão. Sua mãe, preocupada com sua condição de celibatário, lhe comenta a respeito da jovem Zélia Guérin, jovem de face diáfana e de sorriso doce e misterioso. Os dois se encontram e meses depois se casam, em 13 de julho de 1858. Zélia está com 27 anos e inicia com Luís um amor sólido e durável, apesar da doença e da morte. O vigário de Alençon estranhou que o casal não tivesse filhos e eles explicaram que viviam um matrimônio como Maria e José, como dois irmãos. O padre repreendeu-os, dizendo que deveriam viver como casal e terem filhos. Fiéis ao conselho, entre 1860 e 1873 nascem nove filhos, dos quais quatro morrem pouco depois do nascimento: Helena, José, João Batista e Melânia Teresa.
Um lar feliz e santo
Constituíam um casal típico da pequena burguesia francesa do século XIX. Levam uma vida ordinária, é verdade, mas Deus ocupa um lugar especial em sua vida pessoal e comunitária. Diariamente freqüentam a Missa das 5:30h: Deus antes de tudo. A filha Celina escreveu, mais tarde: “Quando papai comungava ele permanecia em silêncio na volta para casa”. “Continuo a conversar com Nosso Senhor”, dizia. No meio das tristezas pela perda dos filhos, “tudo aceitamos na serenidade e no abandono à vontade de Deus”. Oração em família duas vezes ao dia, ao toque do Ângelus ao meio-dia e às 18h. Natal, Quaresma, Páscoa, os meses marianos de maio e outubro, o 15 de agosto ocupam um lugar central em sua vida, tocando profundamente suas filhas. Essa espiritualidade conjugal e familiar não os isolou dos outros, pelo contrário, reforçou sua atenção a todos, domésticas, conhecidos, vizinhos.
Sobreviveram cinco filhas, que ingressaram no convento: Maria, Paulina, Leônia, Celina e Teresa. Talvez o casal não seria lembrado se não fosse a caçulinha, a grande Santa Teresinha, morta aos 24 anos no Carmelo de Lisieux.
Foram apenas 19 anos de vida em comum cujos frutos ultrapassaram a existência terrena. Uma palavra-chave expressa esse amor: a unidade, unidade que edificou sua vida espiritual, familiar e social. Num tempo em que nós fragmentamos a vida, vivemos divididos, eles cimentaram sua existência numa unidade invencível e contagiante.
A casa dos Martin era casa de caridade. Luís recolhe um epiléptico na rua e cuida de assisti-lo. Não hesita em convidar à mesa os mendigos encontrados na rua. Visita os anciãos. Ensina às filhas a honrar o pobre e a tratá-lo como um igual. Teresa será a mais sensibilizada por esse exemplo. Podemos afirmar que a doutrina da “pequena via” que fez de Teresinha Doutora da Igreja nasce da santidade e do exemplo da vida de Luís e Zélia. Em seus escritos Santa Teresinha mais vezes dirá: “O bom Deus deu-me um pai e uma mãe mais dignos do Céu que da terra”.
Não era uma família triste. O “pequeno convento” não era uma prisão austera, mas um lar feliz. Um lar cristão com o amor entre os esposos, deles pelas filhas, entre as irmãs, uma unidade sensível. Ambiente sadio, brincadeiras, jogos, festas, passeios em família. O amor era verdadeiro. Um amor, como definiu Teresinha “onde se dá tudo e se dá a si mesmo”.
Luís e Zélia não desejavam que suas filhas fossem religiosas, mas santas. O desejo de santidade que ali se vivia impregnava toda a vida familiar. A santidade se manifesta nas etapas vividas pelo casal, etapas tão semelhantes às de um casal atual: casamento tardio, trabalho, dupla jornada de Zélia entre a casa e a loja, ambos assumem a educação das filhas. Foram consumidos por doenças contemporâneas: o câncer de Zélia e a doença neuropsiquiátrica de Luís. Atravessam a guerra de 1870 entre França e Alemanha, as crises econômicas, o drama da morte de Zélia em 1877: sozinho, Luís deve criar e educar suas cinco filhinhas Maria, Paulina, Leônia, Celina e Teresa.
A Paixão de Luís e Zélia
Luís e Zélia vivem a Paixão, cada um a seu modo. Em dezembro de 1864 Zélia descobre um câncer impossível de ser operado, que não lhe oferece nenhuma chance de cura. Zélia aceita a morte com coragem heróica, trabalhando até véspera, a cada manhã participando da Missa. Sua força era a existência das cinco filhas. Em agosto de 1877 seus seios são amputados. Preocupa-se sobretudo por Leônia, meio doentinha. Carrega a cruz por 12 anos, até a morte aos 46 anos, em 28 de agosto de 1877. Luís sente-se anulado, o pânico toma conta da família.
A Paixão de Luís é de outra ordem. A partir de novembro de 1877 passa a residir em Lisieux e sucessivamente entrega todas as filhas a Deus: Paulina (1882), Maria (1886), Leônia (1899) e, enfim, sua “pequena rainha” Teresa (1888) e depois Celina (1894).
Sua saúde decai cada vez mais e necessita de hospitalização em Caen. Hoje diríamos num Hospital Psiquiátrico, mas em 1889 se dizia “asilo de loucos”. O venerável pai está agora misturado a 500 doentes. O homem estimado e respeitado é apenas um ser decadente. “Ele bebeu a mais humilhante de todas as taças”, escreveu Teresinha. Os médicos diagnosticaram arteriosclerose cerebral, com insuficiência renal. O lar dos Martin está disperso: três filhas são carmelitas. Não curado, Luís é devolvido ao lar e assistido noite e dia pela filha Celina. É como uma criança, continuamente necessitado de assistência.
Em 1888 Luís tinha oferecido um altar à catedral de São Pedro, sua paróquia. Teresinha comenta: “Papai ofereceu a Deus um Altar. Ele foi a vítima escolhida para ali ser imolado com o Cordeiro sem mácula”. Deus o chamou à eternidade em 29 de julho de 1894.
Relendo sua vida familiar à luz do Amor Misericordioso, em 1896, Teresinha relembra a entrada no Carmelo nos braços de “seu Rei” e nunca imaginaria que poucos dias após a tomada do hábito seu querido pai “deveria beber a mais amarga, a mais humilhante de todas as taças”. “Os três anos de martírio de Papai me parecem os mais amáveis, os mais frutuosos de toda a nossa vida. Eu não os trocaria por nada, por nenhum êxtase ou revelação este tesouro que deve provocar uma santa inveja nos Anjos de Corte Celeste”.
Pouco antes da doença, Luís escreveu às três filhas carmelitas: “Devo dizer-vos, minhas queridas filhas, que sou obrigado a agradecer e fazer-vos agradecer ao bom Deus, porque eu sinto que nossa família, apesar de tão humilde, tem a honra de ser privilegiada por nosso adorável Criador”.
É verdade que Deus cumulou de bênçãos e graças o lar de Luís e Zélia. É mais verdade, porém, que ambos abriram suas vidas ao dom de Deus, dele fazendo participar intensamente suas filhas
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