sábado, 26 de junho de 2010

O uso do véu devocional na Santa Missa


Remonta desde o inicio do cristianismo no Oriente. Alem de ser um preceito bíblico se preservou na Igreja de Cristo por milênios. E ainda é seguido por grupos tradicionais e conservadores pela Igreja Católica romana e pelas demais Igrejas do Oriente.

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Até o Concílio Vaticano II em 1968, era lei canônica o uso do véu nas missas católicas romanas. Fazia parte do antigo direito canônico , a mulher que estivese sem o véu numa missa era sinal de desonra e de falta respeito. As autoridades maiores da Igreja Latina, entenderam que não deveria ser mais obrigatorio o seu uso e ficou a par do desejo pessoal da fiel usar ou não. Levando em conta a "revolução litúrgica" da década de 70 (sec. XX) o uso devocional foi quase que abolido. Mantido no entanto pelas mulheres mais velhas ou pertencentes a grupos marianos mais tradicionais.

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No entanto em muitas dioceses mais antigas e de grupos pertencentes a fraternidades, associações conservadoras como Opus Dei, Regum Christi , Arautos do Evangelho ...é mais comum ver mulheres usando o véu nas missas. Já na liturgia antiga romana "Tridentina" ficou preservado o uso do véu e nas liturgias orientais como a bizantina , copta, caldeia e siriaca.


Existe uma fundamentação biblica para o uso do véu pelas mulheres cristãs:


"Toda mulher que ore ou profetize com a cabeça descoberta desonra a sua cabeça"

(1 Cor. 11,5)

Não se trata de saudosismo nem "tradicionalismo" é sim devoção e preceito bíblico.
Mulheres! não tenham vergonha, use o véu nas missas... comecem a dar o exemplo!




O uso do véu como endumentária está ligado atualmente a práticas religiosas e sempre adotado por mulheres. No mundo islâmico adota-se o véu para uso durante todo o dia. No Brasil, há alguns anos, era adotado pela Igreja Católica como obrigatório (hoje porém, em desuso) com a cor preta para casadas e branco para solteiras. Atualmente a Congregação Cristã no Brasil, A Igreja Pentecotal As Maravilhas de Deus e a Assembléia Apostólica da Fé em Cristo Jesus observam esse costume, adotando-o somente durante os serviços religiosos e orações. Também ensinam tal uso, denominações como: Casa de Oração - Irmãos, Congregação Cristã Apostólica, Assembléias Cristãs,Congregação Cristã do Sétimo Dia, Igreja do Oriente, Assembléia Cristã Iraniana, Igreja evangélica Missão de Jesus Cristo, Igreja evangélica Arabe, Mennomitas, Amish, Obra da Restauração, Igreja Prebisteriana Livre do Usler, etc.

Doutrinas relacionadas ao uso do véu

Para adotar o uso do véu, a doutrina cristã segue o que ficou registrado por Paulo de Tarso na carta Aos Coríntios da Bíblia; onde o apóstolo, deixa as seguintes citações: 1COR 1.2 lemos “À Igreja de Deus que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus, chamados santos, com todos os que em todo lugar invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso:
"À Igreja que está em Corinto,... com todos os que invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo..." "Para: os cristãos de Corinto... e para todos os cristãos em toda parte, todos quantos invocam o nome de Jesus..." (tradução da Bíblia Viva).
O apóstolo prega que, o desuso do véu, ao profetizar ou orar, faz com que a mulher desonre a sua cabeça, comparando-a a uma cabeça raspada. Assim, não usando a mulher o seu véu, desonra pela não sujeição ao varão, que é a sua cabeça; por sua vez o varão que ora ou fala com a sua cabeça coberta, desonra a Cristo - a sua Cabeça. Contudo, a mulher que desonra o varão pela sua não sujeição, e tendo este como cabeça a Cristo, e sendo este a imagem e glória de Deus, a mulher, com tal atitude, está a desonrar diretamente a Cristo, visto que não esta reconhecendo a ele sujeição "A Cabeça do Corpo da Igreja" (Col.1:18). Segundo a carta, não é necessário pela mulher usar o véu além dessas duas situações porque um cabelo crescido seria um substitutivo para quando não estivesse orando ou profetizando. O véu seria ainda, um sinal de poder dos anjos celestes. Da mesma forma, é pregado que os homens desonrariam suas cabeças se as cobrissem com um véu e que também é desonra para eles deixar de cortar os cabelos.
Para os islâmicos, o uso do véu é um sinal de recato, respeito e modéstia.

Para compreendermos essa distinção entre o homem e a mulher, quanto a cobrir ou não a cabeça, devemos ter em mente, em primeiro lugar, que Paulo está se referindo aqui ao véu como um “sinal de estar sob a autoridade de outrem” (Leon Morris). Essa distinção baseava-se no princípio de que Cristo é “o cabeça de todo homem, e o homem, o cabeça da mulher” (verso 3). Por conseguinte, se a mulher deixasse de usar o véu, ela estaria assumindo uma atitude de desonrosa insubordinação para com o seu marido. Por outro lado, se o homem passasse a cobrir a cabeça, ele estaria negando “ser ele imagem e glória de Deus” (verso 7), reconhecendo o senhorio de outra autoridade em sua vida.
Mas essa subordinação funcional da mulher à autoridade do homem não pode ser isolada da declaração paulina de igualdade essencial entre ambos os sexos. Nos versos 11 e 12, Paulo é claro em asseverar: “No Senhor, todavia, nem a mulher é independente do homem, nem o homem, independente da mulher. Porque, como provém a mulher do homem, assim também o homem é nascido da mulher; e tudo vem de Deus”. Esse mesmo conceito de igualdade essencial é enunciado também em Gálatas 3:28: “Dessarte, não pode haver judeu nem grego; nem escravo nem liberto; nem homem nem mulher; porque todos vós sois um em Cristo Jesus”.


O véu nas mulheres é a lembrança permanente dentro da Igreja daquilo que não vemos, que é mistério, está perto mas está encoberto por um véu".


" Por isso a mulher deve trazer o sinal da submissão sobre sua cabeça" (I Cor 11, 10)
O assunto seria específico à igreja em Corinto. Os que assim argumentam se estribam no erro de que a primeira epístola aos Coríntios se prende obstinadamente a fatos locais, logo, o uso do véu pelas mulheres seria específico para aquela igreja local.
Sem dúvida, essa afirmação é absurda, pois é claríssima a universalidade da epístola ... à igreja de Deus que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus, chamados para serem santos, com todos os que em todo lugar invocam o nome do Senhor Jesus, Senhor deles e nosso (ICo.1:2). Será por demais pretensioso afirmar que os males que afligiam aquela igreja jamais ocorreriam em outras. O Espírito Santo orientou Paulo nesse sentido a fim de que as demais igrejas aprendessem com os erros cometidos por aqueles irmãos e evitassem os mesmos procedimentos.
Sabemos que apesar dessas admoestações, esses erros não deixaram de ser praticados, pois, ainda hoje, cometem-se os mesmos pecados apesar das advertências contidas nessa carta. Dizer-se que assuntos correlatos à ordem nos cultos, a participação na ceia, o ordenamento dos dons espirituais, a sublimidade do amor, a ressurreição dos mortos, e os assuntos pertinentes à coleta, seriam específicos à igreja em Corinto, no mínimo é por desconhecimento bíblico, pois, se for de caso pensado é de má fé.

Nathalia Geroliza Michel Maria

Santo Afonso Maria de Ligório (1696-1787)




Santo Afonso Maria de Ligório, bispo, escritor, poeta, musicista, Doutor da Igreja, foi fundador de uma das mais ativas e numerosas congregações religiosas: os Padres Redentoristas. Nasceu perto de Nápoles, Itália, em 1696, filho de uma das mais antigas e nobres famílias de Nápoles. Do pai herdara uma vontade férrea, inteligência viva e perspicaz, enquanto que a mãe plasmou seu coração para a fé a bondade. Ainda pequeno, recebeu do Santo São Francisco de Jerônimo da Companhia de Jesus, a seguinte profecia: "Esta criança, não morrerá antes dos 90 anos; será bispo e realizará maravilhas na Igreja de Deus". Seu pai destinou-o aos estudos das artes liberais, das ciências exatas, das disciplinas jurídicas, conseguindo Afonso rápidos e surpreendentes progressos. Aos dezesseis anos anos doutorou-se em direito civil e eclesiástico e começou a colher louros e triunfos no foro. Seu pai sentia-se orgulhoso do brilhante futuro que se abria ao filho e já tinha preparado uma noiva, rica e nobre, mas no coração de Afonso, já havia a graça divina aberto profundos sulcos, e inspirado outras rotas de grandeza. Como advogado, já de renome, recebeu uma causa de grande importância do Duque Orsini contra outro príncipe, o grão-duque de Toscana. Meticulosamente nosso advogado estudou o processo, reviu os autos, conferiu documentos. Fez uma brilhante defesa no foro. A vitória parecia mais que garantida quando o contra-atacante lhe chamou a atenção para uma pequena falha que lhe passara despercebida. Afonso reconheceu que se enganara e exclamou: "Ó mundo falaz, agora eu te conheço! Adeus tribunais!". Este acontecimento determinou a reviravolta mais profunda de sua vida. O jovem e brilhante advogado abandonou definitivamente a advocacia para dedicar-se às causas mais nobres na seara evangélica. Completou os estudos de teologia e foi ordenado sacerdote aos trinta anos. Esta mudança custou-lhe renhidas lutas com o pai, que não podia conformar-se com a escolha feita pelo filho, renunciando aos títulos de nobreza e à rica herança da família. Mais tarde, ainda com pavor Afonso recordava dessas horas de combate. Desde então Afonso colocou suas altas qualidades de ciência e de oratória a serviço de Cristo, dedicou-se sobretudo à pregação, com o lema: "Deus me enviou a evangelizar os pobres". Procurava de preferência os pobres Lazaroni e a meninada abandonada pelas ruas de Nápoles. Muito se mortificava Dom José, vendo seu filho metido no meio do povinho, desprezível a seus olhos de fidalgo. Nosso santo não se deixava esmorecer. Passou a morar no Hospício dos Padres Chineses e pensou seriamente em ir para as missões pagãs. Entretanto, os planos de Deus terminaram por conduzi-lo a um convento de irmãs em Scala, perto de Amalfi, para onde foi por Ter adoecido, e necessitar de repouso. Nesse convento havia a Irmã Maria Celeste Crostarosa que se destacava por sua virtude. A 3 de outubro de 1731 revelou-lhe a Irmã a visão que tivera: Afonso estava designado por Deus para fundar uma Congregação. Começou então o duelo entre Deus e a humildade do Santo. A luta foi um verdadeiro martírio para Afonso. A santa Irmã chegou mesmo a intimá-lo: "D. Afonso, Deus não o quer em Nápoles; chama-o para fundar um novo Instituto". Resolvido a isso, depois de ter sido orientado pelo seu confessor Facoia, mais tarde bispo, teve o Santo de enfrentar tremenda oposição do pai. Este recriminava ao filho dureza de coração por querer abandoná-lo para meter-se na aventura de fundar um novo Instituto. Mas a graça venceu, e a 9 de novembro de 1732 fundou Afonso, em Scala, a Congregação dos Padres Redentoristas, que no começo tinha o nome de Instituto do SS. Salvador. Os primeiros companheiros de Afonso eram todos sacerdotes, e logo começaram a dedicar-se à pregação. Não tardou aparecer desunião nas idéias. Queriam uns que o Instituto, além da pregação, se dedicasse também ao ensino. Afonso insistiu na exclusividade da pregação aos pobres, às regiões de gente abandonada, na forma de missões e retiros. Venceu seu ponto de vista. Em 1749 o Papa Bento XIV aprovou as Regras do Instituto, que tinha por fim a imitação de Jesus Cristo e a pregação de missões e retiros de preferência à classe mais abandonada. À frente de seus súditos percorreu cidades e vilas do Sul da Itália, convertendo pecadores, reformando costumes, santificando as famílias. Era um facho ardente que deixava em chamas de amor divino os lugares por onde passava. Mais do que sua palavra, pregava o seu exemplo de virtude, de penitência, de caridade e de santa inocência. As cidades disputavam Afonso como pregador. Um dia chegou ao seu conhecimento, que o queriam nomear arcebispo de Palermo. Pediu orações para que se evitasse "o grande escândalo" desta nomeação. Mas em 1762 o Papa Clemente XIII impunha-lhe a mitra de Santa Águeda dos Godos. "Vontade do Papa é a vontade de Deus", disse o santo, e curvou a fronte. Durante 13 anos pastoreou sua diocese, reformou-lhe o clero, os costumes, as Igrejas. Outra tornou-se a vida religiosa nos mosteiros e conventos. Os diocesanos passaram mas viram que tinham um santo por bispo, quando vendeu até as alfaias, os móveis de seu pobre palácio, seu anel de bispo, para acudir aos necessitados. Em 1775, a seu pedido, livrou-o do bispado. Papa Pio VI. O santo patriarca voltou pobre para o seu convento, e ali mão de Deus o experimentou e lhe burilou lindas facetas de virtude. Afonso, acabrunhado por sofrimentos físicos, teve o desgosto de ver a cisão no seu Instituto e, por mal-entendidos, foi até excluído na Congregação que fundara. Os últimos anos do Santo são síntese, tudo adversidades inimagináveis. Das profundezas da sua alma dorida clamava a Deus misericórdia e auxílio. Em tudo reconhecia a adorável vontade de Deus. Após longo martírio no corpo e na alma morreu calmamente no Senhor a 1º de agosto de 1787 na idade de 91 anos. Em 1816 foi declarado beato. Foi canonizado em 1839 por Gregório XVI. Santo Afonso foi um prodigioso escritor. Nos seus últimos doze anos de vida, para não faltar ao programa que se propusera quando jovem, de não perder mais tempos tempo jamais, dedicou-se à redação de livros, enriquecendo a coleção de obras ascéticas e teológicas. Deixou para os sacerdotes a sua célebre Teologia Moral; para os religiosos a Verdadeira Esposa de Cristo; para o povo cristão, livros cheios de verdadeira e ungida piedade, tais como as Meditações sbre a Paixão do Salvador, Glórias de Maria, Visitas ao SS. Sacramento, Tratado sobre a oração. Foi historiador, apologeta, pregador, poeta e exímio musicista. A devoção popular muito deve às suas canções por ele escritas e musicadas. Até hoje no tempo de Natal, é comum escutar o seu "Tu Scendi dalle Stelle" - Tu desces das estrelas. A Igreja deu-lhe o título de Doutor zelosíssimo. As obras de Santo Afonso têm a perenidade das fontes seculares. Reflexões Imitemos Santo Afonso, empregando o nosso tempo em trabalhos e orações fugindo assim do pecado e do mal emprego do nosso tempo. Só com a oração e num trabalho com o Cristo encontraremos a força e a graça para salvar nossa alma e nos santificarmos.



   
    "SUA ESPIRITUALIDADE"





Introdução

Todos os anos, no dia 1º de agosto, a Igreja festeja o dia de Santo Afonso de Ligório. Foi bastante oportuno, então, que os padres e irmãos redentoristas quisessem comemorar o aniversário do segundo centenário de sua morte (Ligório morreu em 1787, aos noventa e um anos). Assim como os filhos marcam a data de falecimento de seus queridos pais, os filhos espirituais de Santo Afonso carinhosamente lembram sua vida e seu espírito. Este texto irá rever as principais fases de sua vida e os pontos principais de seus ensinamentos espirituais. De modo breve, porém básico, serão respondidas as seguintes questões: Que tipo de pessoa era Santo Afonso? Quais eram alguns de seus dons? Qual o legado espiritual que nos deixou?

O homem Afonso  

De todos os modos, Santo Afonso era uma personalidade extraordinária. O historiador Louis Vereeke, C.Ss. R., descreve-o para nós: "Ardente e ricamente dotado por natureza de uma delicada sensibilidade, uma vontade tenaz e inteligência profunda, Afonso era mais dado ao pensamento prático do que à pura especulação. Tinha, num grau raro, uma consciência do concreto, um senso prático. Em seu relacionamento com os outros, possuía nobreza de modos e era afável e benevolente com todos, especialmente com os pobres, e possuía um bom humor sorridente..." No decorrer de sua longa e enérgica vida, estas características tiveram bom uso. Depois de crescer em uma família abastada e praticar advocacia durante alguns anos, aos trinta anos foi ordenado padre. Ocupou o resto de sua vida com suas numerosas realizações. Apenas cinqüenta e dois anos após sua morte, em 1839, Afonso foi canonizado depois de um estudo completo de sua vida e seus escritos. Devido aos seus inúmeros talentos, a Igreja conferiu-lhe honras especiais. Em 1871 foi nomeado Doutor da Igreja, honra concedida a um pequeno número de teólogos durante a longa história da Igreja. Em 1950, a fim de reconhecer seus notáveis escritos de teologia moral, a Igreja o nomeou "o santo patrono dos teólogos e confessores".

Suas realizações

Foram várias as realizações deste grande santo. Aqui estão algumas: Ele foi um pregador incansável da Palavra de Deus. Embora impossibilitado de dedicar tempo integral à pregação missionária, pregou, durante sua vida, em pelo menos 150 missões paroquiais. (Estas missões paroquiais duravam de duas a quatro semanas). Sempre que possível, dava preferência às comunidades e pessoas privadas de ajuda espiritual. Foi brilhante erudito e escritor popular. Publicou pelo menos 110 trabalhos sobre teologia e sobre a vida espiritual. Seus trabalhos estão traduzidos para 61 idiomas no mínimo, possuindo várias edições. Além disso, Ligório era poeta e músico consumado. Vários hinos que compôs ainda são extremamente populares na Itália e em outros lugares. Em 1732 fundou a Congregação do Santíssimo Redentor (popularmente conhecida como Redentoristas). O propósito fundamental de sua comunidade religiosa era "trazer a boa nova aos pobres". (Existem cerca de 5.600 missionários Redentoristas trabalhando por todo o mundo.) Aos 66 anos, mesmo sofrendo gravemente de artrite, acatou o desejo do Papa para que fosse consagrado bispo e servisse a diocese de Santa Ágata. Ele não apenas administrou habilmente esta diocese por treze anos, como também efetuou reformas necessárias. Morreu entre seus companheiros redentoristas em primeiro de agosto de 1787.

Seu Legado Espiritual

Considerando todos os diferentes tipos de trabalhos que Santo Afonso fez para o reino de Deus, pode parecer precipitado tentar estabelecer sua maior realização. Entretanto, talvez a maior delas tenha sido sua habilidade em pregar o Evangelho e explicar a espiritualidade Católica de maneira que as pessoas simples pudessem prontamente entender. A popularidade mundial de seus escritos espirituais pode ser atribuída à sua intuição compreensiva da condição humana e ao seu estilo prático. Embora seja impossível resumir num pequeno livrete todos os ensinamentos espirituais de Santo Afonso, o panorama apresentado aqui pode nos suprir de luz e inspiração. As questões seguintes são essenciais ao entendimento do que é freqüentemente chamado de "espiritualidade afonsiana". Elas abrangem o que designamos como seu legado espiritual.

1 - Nosso chamado à Santidade

Diferente dos severos professores de seu tempo, Santo Afonso afirmava que Deus chama todos os homens e mulheres à santidade. Não era necessário, insistia ele, correr para o deserto ou entrar para um monastério a fim de alcançar a santidade Cristã; não era obrigatório que alguém desistisse do "mundo", do casamento ou da família. Uma citação explica sua opinião: "É um grande erro dizer: Deus não quer que todos sejam santos. São Paulo disse: 'A vontade de Deus é esta: a vossa santificação' (1Ts 4,3). Deus quer que todos se tornem santos, cada um em sua ocupação; o religioso exatamente como um religioso, o secular com um secular, o padre como um padre, o casado como uma pessoa casada, o comerciante como um comerciante, e as outras pessoas de acordo como caminham na vida".

2 - O Amor de Deus por nós 

Para Santo Afonso, santidade significa o amor de Deus. Tudo mais é secundário. O Amor vem primeiro. A frase "o amor de Deus" tem duas dimensões: o amor de Deus por nós e nosso amor por Deus, em retribuição. Santo Afonso tentou de diversas maneiras fazer com que as pessoas compreendessem o quanto Deus as ama. Um tema sempre presente em seus escritos: Lembre-se o quanto Deus tem amado você! Uma típica frase sua: "Se o amor de todas as pessoas, todos os anjos, todos os santos fossem colocados juntos, eles não se igualariam à menor parte do amor de Deus por você". Esse amor de Deus por seu povo é manifestado de forma visível na pessoa de Jesus - a dádiva de amor do Pai. Para Santo Afonso, Jesus Cristo é tudo! Dificilmente encontra-se uma página em seus escritos onde o nome de Jesus não aparece. Com ênfase particular ele escreveu sobre "os grandes sinais" do amor de Jesus por nós: sua Encarnação, Paixão e Morte, e a Eucaristia. Ele insiste para que todos meditem com freqüência sobre "a manjedoura, a cruz e o tabernáculo". É digno notar que Santo Afonso escreveu um livro inteiro para cada um destes grandes mistérios cristãos. Além disso, dois de seus livretes, O Caminho da Cruz e Visitas ao Sagrado Sacramento ainda são best sellers pelo mundo.

3 - Nossa Redenção

De todos os mistérios cristãos, a Paixão e morte de Jesus Cristo foi o que tocou Santo Afonso mais profundamente. Ele freqüentemente pregava e escrevia sobre esse fato; recomendava a todos que meditassem diariamente sobre esse tópico. Para Santo Afonso, o fato do Pai ter enviado Jesus, seu Filho amado, para sofrer e morrer pelos nossos pecados, era um sinal de "amor inacreditável". O mistério da Redenção era um ato de amor tão grande da parte de Deus, que Santo Afonso escreveu: "Deus está com problemas, louco de amor, perdeu a cabeça de tanto amor". A imaginação vívida e a ternura italiana de Santo Afonso estão presentes nos seus escritos sobre o sofrimento e a morte de Jesus. Entretanto, como mostra Joseph Oppitz, C. Ss. R., "sua preocupação com a Paixão não era um interesse mórbido em sofrimento, sangue e morte..., mas sim uma realização vívida do significado existencial da Cruz, passado, presente e futuro, na parcimônia da vontade de salvação de Deus". Para Afonso, o sofrimento de Jesus era, acima de tudo, os sinais visíveis de seu imenso amor por nós. Por isso deu este conselho: "Pensando na Paixão de Jesus, não devemos refletir tanto sobre os sofrimentos pelos quais passou em conseqüência do amor com o qual perturbou as pessoas".

4 - Nosso Amor a Deus 

O grande amor de Deus por nós, manifestado em Jesus, exige nosso amor em retribuição. Em um dos livros mais famosos de Santo Afonso, A Prática do Amor a Jesus Cristo, a frase inicial é esta: "A total santidade e perfeição de uma alma consiste em amar Jesus Cristo, nosso Deus, nosso bom soberano e nosso Redentor".
Porém, como nós humanos podemos responder melhor ao amor de Deus? Para Santo Afonso, é imitando Jesus, que disse de si mesmo: 
"Porque desci do céu não para fazer a minha vontade, mas a vontade de quem me enviou" (Jo 6,38).
Ecoando este princípio evangélico, Santo Afonso desenvolveu um resumo básico a respeito de nossa resposta ao amor divino. Neste resumo, temos o que é mais característico da espiritualidade de Afonso: "Toda santidade consiste no amor de Deus, e este amor consiste em conformidade à vontade divina; assim, toda santidade consiste em conformidade à vontade divina".
Em sua grande intuição, Santo Afonso sabia o quanto seria fácil nos enganarmos na vida espiritual. "Algumas pessoas, escreveu Afonso, desejam tornar-se santos, mas à sua maneira. Elas querem amar Jesus Cristo, mas a seu modo... Elas amam a Deus, mas em seus termos."
O verdadeiro teste de amor é nossa aceitação da vontade divina. Afonso dizia que esta vontade está manifestada nas Escrituras, a Palavra Viva de Deus, e na Igreja, guiada pelo Espírito que ensina questões de fé e moral com a autoridade do próprio Deus. Além disso, a vontade divina nos é mostrada nos deveres e responsabilidades da nossa vocação - e muito concretamente, nas circunstâncias particulares da nossa vida aqui e agora . "O ponto principal está em abraçarmos a vontade de Deus em todas as coisas que nos acontecem, não apenas quando estas são favoráveis ao nossos desejos, mas quando são também contrárias. Quando as coisas vão bem, até mesmo os pecadores não encontram dificuldades em estarem de acordo com a vontade divina; porém, os santos também estão de acordo nas circunstâncias contrárias ao seu amor próprio. É nisto que é mostrada a perfeição do amor de Deus." 5 - Nosso Amor ao Próximo O amor a Deus sempre vem primeiro. "Este é o maior e o primeiro mandamento" (Mt 22,38). Entretanto, o amor ao próximo também é essencial porque é um mandamento "igual ao primeiro". Santo Afonso viu uma estreita relação entre esses dois mandamentos. "Por que devemos amar nosso próximo? Porque ele é amado por Deus! Devemos amar todos aqueles que Deus ama."
Assim como nosso amor por Deus deve ser mostrado de forma prática e concreta, devemos também mostrar nosso amor pelo próximo. Santo Afonso enfatiza que os seguidores de Jesus Cristo devem "viver pacificamente juntos" e praticarem a "tolerância mútua". Esta paz não consegue desabrochar num coração cheio de desconfianças, amarguras ou aversões. "Se desejas praticar a bela virtude da caridade, escreveu Afonso, empenhe-se em rejeitar todo julgamento precipitado, toda desconfiança, toda suspeita infundada em seu próximo."
Além disso, todo verdadeiro seguidor de Cristo possui o sério dever de ajudar os pobres e os necessitados. Santo Afonso dizia que devemos compartilhar com os pobres não apenas o que temos em abundância mas até mesmo, se necessário, aquilo que consideramos essencial para nós.

6 - Nosso desprendimento

Uma palavra sempre presente nos escritos espirituais de Santo Afonso é a palavra italiana distacco. É difícil traduzir esta palavra para o Português. Normalmente é traduzida como desprendimento. A idéia básica é esta: O amor de Deus deve ser a primeira prioridade para o cristão. Ele deve esforçar-se constantemente para estar de acordo com a vontade divina. Qualquer coisa que pareça vir antes do amor de Deus deve ser corajosamente colocada de lado.
Santo Afonso sabia claramente que o maior inimigo do verdadeiro amor de Deus era o falso amor ao ego. O egocentrismo, a seus olhos, era a raiz de todo mal. "Muitas pessoas fazem da vida espiritual uma profissão, escreve Afonso, mas são adoradores de si mesmos." Este egocentrismo mostra-se na ambição exagerada, no temor ao respeito humano, no orgulho. Distaco é o esforço consciente do cristão para dominar a praga do egocentrismo.

7 - Nossos atos de mortificação

Na espiritualidade de Afonso, é a mortificação que prepara o desprendimento. A mortificação refere-se ao ideal cristão de "morrer para si"; refere-se à luta contra o egocentrismo, a fim de que o amor de Deus fique livre para crescer e desenvolver-se. É uma faceta dos ensinamentos de Jesus: "Quem procurar a sua vida, há de perdê-la; e quem perder a sua vida por amor de mim, há de encontrá-la" (Mt 10,39).
Santo Afonso gostava de fazer uma distinção entre a mortificação externa e interna. A mortificação externa refere-se à disciplina dos sentidos, tais como o jejum, a abstinência, o controle das palavras, a modéstia dos olhos. A mortificação interna refere-se à disciplina do coração, isto é, o controle das paixões e do amor próprio desordenados.
De acordo com Afonso, certamente existe lugar para mortificações externas na vida dos cristãos, especialmente quando é necessário evitar o pecado ou quando a lei da Igreja exige, como é o caso do jejum e da abstinência na Quaresma. No entanto, Afonso acreditava que a mortificação interna era muito mais importante e muito mais rara. Ele escreveu sobre aqueles que se ocupam com jejuns e outras austeridades corporais, mas que ao mesmo tempo "não se esforçam para superar determinadas paixões, por exemplo, certos ressentimentos, aversões, curiosidades e apegos perigosos". Tais cristãos, para Santo Afonso, não serão capazes de progredir na verdadeira santidade.

8 - Uso da Oração

Santo Afonso muitas vezes é descrito como "Doutor da Oração". Por considerar a oração tão essencial para a vida cristã, escreveu vários livros inteiramente dicados a ela. De todos seus livros, considerava seus tratados de oração mais valiosos para as pessoas simples. Em suas orações, encontramos sua melhor compreensão teológica. Afonso opôs-se com vigor aos teólogos rígidos que consideravam a oração domínio apenas de uma elite espiritual. Ele dizia que orar era possível a qualquer pessoa: Deus concedeu a todos os homens e mulheres, até aos mais pecadores, a graça de orar. Devemos pedir a Deus qualquer graça de que necessitemos e ela nos será concedida!

9 - Orações para pedir

Há uma forte ênfase nos ensinamentos de Santo Afonso sobre as orações que pedem alguma coisa. Alguns professores e pregadores daquela época rebaixavam essa oração insinuando que ela não era "pura ou elevada" o suficiente para as pessoas santas. Santo Afonso rejeitava esse ponto de vista. Ele insistia que ouvíssemos, de preferência, os ensinamentos de Jesus: "Pedi e será dado; buscai e acharei; batei e será aberto" (Mt 7,7).
Se somos tentados a pensar que os santos se tornaram santos por meio de alguma fórmula mágica não disponível para o resto da humanidade, estamos errados. Para Santo Afonso, os santos tornaram-se santos porque oravam! "Todas as graças, por meio das quais tornaram-se santos, foram enviadas a eles como respostas às suas preces." Esse mesmo caminho está aberto para cada um de nós. "Precisamos de humildade; deixe-nos pedi-la e seremos humildes. Precisamos de paciência nas tribulações; deixe-nos pedi-la e seremos pacientes. O que desejamos é o amor divino; deixe-nos pedi-lo e ele nos será dado."

10 - Oração a Maria

De modo muito especial, Santo Afonso insistia para que rezássemos a Maria, nossa Mãe abençoada. Ele escreveu um tratado completo sobre o papel de Maria no plano de salvação de Deus: As Glórias de Maria. Por ser tão amada por Deus e responder totalmente a este amor, ela deveria ser nosso modelo na vida cristã. Além disso, Maria é capaz de interceder por nós. "Ela é cheia de graça; porém, esta plenitude não foi concedida apenas para si, mas também para que compartilhasse conosco."

11 - A Importância da Meditação

Santo Afonso também enfatizava a meditação freqüente, isto é, a reflexão interior e a resposta à Palavra de Deus. "As verdades de fé são realidades espirituais, não podem ser vistas com olhos físicos, mas apenas com os olhos da alma, por meio da reflexão e meditação." Muitas vezes Afonso comparava a meditação ao fogo. "A meditação afeta a alma como o fogo afeta o ferro. Se o ferro está frio, é muito duro e só pode ser moldado com muita dificuldade. Porém, coloque-o no fogo e logo ele amolece e cede aos esforços do ferreiro... Assim é nosso coração: freqüentemente duro e obstinado. Mas sob a ação das graças que recebemos na meditação, nosso coração torna-se flexível, dócil e pode ser moldado por nosso Mestre e Senhor."
Entretanto, para Santo Afonso, a meditação não deve consistir demais em especulações abstratas sobre as verdades da fé. Muito mais importante, diz ele, é a afeição do coração que acompanha esta reflexão. "Após ter meditado sobre algumas verdades eternas, e Deus ter respondido ao seu coração, você deve também falar a Deus. Faça isto, inicialmente, dando forma às afeições, aos atos de fé, aos agradecimentos, à humildade ou esperança, mas acima de tudo através de atos de amor e contrição.

12 - Devoção à Eucaristia

A grande oração de louvor e agradecimento é a celebração do sacrifício e sacramento da Eucaristia. Santo Afonso encorajou católicos a se juntarem sinceramente na celebração da Eucaristia, fazendo os propósitos básicos pelos quais ela foi instituída, propósitos deles próprios: "Primeiro, honrar e glorificar a Deus. Segundo, agradecê-lo por todas as graças e benefícios. Terceiro, tomar satisfações de nossos pecados e dos pecados dos outros. Quarto, adquirir as graças de que necessitamos".
Mesmo fora da Missa, como nos ensina a Igreja, a Eucaristia deve ser reverenciada com grande devoção. Esta devoção estava no coração de Afonso. Em seu famoso Visitas ao Sagrado Sacramento, ele oferta uma ampla variedade de sentimentos e orações para esta devoção. A verdade básica está contida nesta frase: "Deixe-nos, então, nos aproximarmos de Jesus com grande confiança e afeição; permita nos unirmos a ele e pedir suas graças".

Conclusão

Vários outros temas da espiritualidade de Santo Afonso valem a pena serem considerados, mas estes são suficientes no momento. O que foi feito aqui, em comemoração ao segundo centenário de sua morte, foi para lembrarmo-nos do legado espiritual de Santo Afonso e focalizarmos o coração em seus ensinamentos espirituais:
• Deus ama imensamente cada um de nós. 
• Nossa vocação é amar a Deus em retribuição.
• Amamos
a Deus quando realizamos sua santa vontade.
• O egocentrismo é nosso inimigo.
• Não existe amor sem oração.

"Santo Afonso e sua espiritualidade"

terça-feira, 22 de junho de 2010

O milagre eucarístico de Siena, Itália



 


        Na cidade de Santa Catarina de Siena temos um milagre eucarístico que data de 1730. No dia 14 de agosto daquele ano a igreja de São Francisco fora vítima de um assalto. Os ladrões levaram 351 hóstias consagradas. A cidade se mobilizou, suspendendo inclusive a festa e procissão da Assunta.
          
 
               O curioso foi que, três dias após o roubo, as hóstias foram encontradas no cofre de esmolas de outra igreja (St. Mary de Provenzano). Foi constatado que se tratavam das mesmas, e contaram-se 348 hóstias inteiras e seis metades.  O povo então fez uma procissão para levá-las para a igreja assaltada, tendo como portador o Arcebispo Alessandro Zondadari. Não foram consumidas, como previa o Direito Canônico, porque os fiéis queriam adorá-las para reparar o nocivo ato. Tais hóstias foram guardadas no local apropriado – no sacrário – e de algum modo acabaram sendo esquecidas. O procedimento ordinário é que as mesmas deveriam ter sido consumidas. Uma teoria afirma que o povo de Siena e das cidades vizinhas queriam adorá-las para reparar a profanação, como já dito. A segunda seria a que as hóstias estariam ainda sujas, apesar de terem sido limpas superficialmente, não sendo neste caso necessário consumí-las, mas é permitido que se deteriorem-se naturalmente.
             O Pe. Carlo Vipera, da Ordem Franciscana, examinou as hóstias no dia 14 de abril de 1780 e as encontrou frescas e incorruptas. Somente 50 anos depois foi descoberto que estavam completamente intactas, não apresentando nem coloração diferente do tempo de sua fabricação. Tratava-se de um milagre! Nos séculos que se sucederam, as hóstias foram submetidas aos mais diversos exames científicos para comprovar a autenticidade do fato. Nos anos anteriores algumas hóstias foram  distribuídas e consumidas. As 230 restantes foram colocadas em um cibório novo e posterior distribuição foi proibida.
             Uma investigação mais detalhada foi realizada em 1789 pelo Arcebispo de Siena, Tiberio Borghese, com teólogos e cientistas. Após ter examinado as hóstias com um microscópio, a comissão declarou que eram perfeitamente intactas e não demonstravam nenhum sinal de deterioração.
             Neste mesmo ano um teste foi realizado: hóstias não consagradas foram colocadas em uma caixa selada. Dez anos mais tarde foram examinadas e encontradas desfiguradas. Em 1850, 61 anos depois do fechamento da caixa, as hóstias não consagradas foram reduzidas à partículas de uma cor amarela escura, enquanto que as 230 hóstias consagradas milagrosas retiveram seu frescor original pelo mesmo tempo!
             Ao longo dos anos outros exames foram realizados, mas o mais significativo foi o de 1914, empreendido por ordem do Papa Pio X. O arcebispo selecionou um distinto grupo de investigadores, com cientistas e professores de Siena e de Pisa, juntamente com teólogos e oficiais da Igreja. Testes químicos executados sobre fragmentos das hóstias milagrosas provaram que tais hóstias foram preparadas sem as precauções científicas que poderiam mantê-las preservadas por um período de poucos anos! A comissão concluiu que a preservação era extraordinária! Se as hóstias tivessem sido preparadas para se conservarem, alguns anos se passariam... mas as mesmas não foram preparadas e o milagre já durava 184 anos!
             O professor Siro Grimaldi, professor na Universidade de Siena e diretor do Laboratório Químico Municipal, era o principal cientista da comissão de 1914. Mais tarde, escreveu um livro com detalhes preciosos sobre o milagre, intitulado Uno Scienziato Adora. Em 1914 declarou que “a farinha em grão é o melhor terreno de cultura de microorganismos, parasitas animais e vegetais, e fermentação láctica. As partículas de Siena estão em perfeito estado de conservação, contra as leis físicas e químicas, não obstante as condições de tudo desfavoráveis em que foram encontradas e conservadas. Um fenômeno absolutamente ANORMAL: as leis da natureza foram invertidas. O vidro em que foram encontradas possui mofo, enquanto a farinha se revelou mais refratária do que o cristal.”
              Em 1922 outras investigações foram conduzidas, na presença no Cardeal Giovanni Tacci e do Arcebispo de Siena, de Montepulciano, de Foligno e de Grosseto. Os resultados foram os mesmos.
             Em 1950 as hóstias foram submetidas a novo exame e colocadas em um cibório mais novo. Apesar das precauções, outro roubo sacrílego ocorreu na noite do dia 5 de agosto de 1951. O ladrão deixou as hóstias no canto do tabernáculo e levou somente o cibório! O arcebispo da cidade contou 133 hóstias e as selou em um novo recipiente de prata. Mais tarde, após serem fotografadas, foram colocadas em um recipiente mais elaborado, que substituísse o que tinha sido roubado.
             As hóstias milagrosas são exibidas publicamente em várias ocasiões, especialmente no dia 17 de cada mês, comemorando o dia onde foram encontradas após o primeiro roubo, em 1730. Na festa de Corpus Christie as mesmas são conduzidas em procissão triunfante, a partir da igreja, pelas ruas da cidade. Muitos distintos personagens adoraram as hóstias, como São João Bosco e o papa João XXIII, que inclusive assinou o livro dos visitantes, no dia 29 de maio de 1954, ainda quando era o bispo de Veneza. Apesar de incapazes de visitar as hóstias milagrosas, os papas Pio X, Benedito XV, Pio XI e Pio XII emitiram indicações de interesse e admiração profundos.
            Com voz unânime, fiéis, padres, bispos, cardeais e papas maravilharam-se e adoraram as hóstias de Siena, reconhecendo nelas um milagre permanente, completo e que resiste há 250 anos! A Igreja assegura que, embora tenham sido consagradas em 1730, por terem mantido conservação perfeita, ainda são realmente e verdadeiramente o Corpo de Cristo!
             O Papa Paulo VI, no Congresso Eucarístico de Pisa, na Itália, falou sobre a presença real de Cristo na Eucaristia, e lembrou o testemunho do milagre de Siena. Também João Paulo II visitou Siena, como peregrino, para celebrar os 250 anos deste sinal extraordinário de Deus.
             Palavras de Paulo VI:
             “Assim é. Cristo está realmente presente no sacramento eucarístico. Falamos isso para dissipar as incertezas diante das tentativas de dar outras interpretações à doutrina tradicional e autorizada da Igreja. Cristo vivo e selado no sinal sacramental está realmente presente. Não é palavra vã, não é sugestão supersticiosa ou fantasia mítica: é a verdade...”
             Um milagroso caso de conservação da matéria que desafia as leis naturais! Aparentemente é farinha, realmente é Jesus.
Fonte de Pesquisa: “O Milagre da Eucaristia para você”, Pe. Alberto Gambarini, 7a edição, edt. Ágape.

Milagre Eucarístico de Lanciano


"A minha carne é verdadeiramente uma comida e o meu sangue, verdadeiramente uma bebida. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim e eu nele" (Jo 6,55-56).
           Nossos sacrários mantêm entre nós a realidade da Encarnação: "O Verbo se fez carne e habitou entre nós..." E habita ainda verdadeiramente presente entre nós, não somente de uma maneira espiritual, mas com seu próprio Corpo. Esta presença real da carne de Cristo (uma carne viva, unida à alma e à divindade do Verbo, pois Jesus está hoje ressuscitado) é admiravelmente manifestada pelo milagre de Lanciano. Um milagre que dura há mais de 12 séculos e que a ciência examinou, e diante dos fatos, teve que se inclinar.           Sim, um milagre, e bem destinado ao nosso tempo de incredulidade. Pois, como diz São Paulo, os milagres são feitos não para aqueles que crêem, mas para os que não crêem. E Deus permitiu para todos os que ainda duvidam da presença Eucarística do Cristo ou que a negam, que um milagre, que dura 12 séculos, fosse nos últimos anos, posto em evidência e verificado pela própria ciência. "Isto é meu corpo! Isto é meu sangue!", disse Cristo (cf. Mt 26,26-28).           Este prodigioso milagre deu-se por volta dos anos 700, na cidade italiana de Lanciano, na igreja do mosteiro de São Legoziano, onde viviam os monges da Ordem Basiliana (de São Basílio).
           Entre os monges, havia um que se fazia notar mais por sua cultura mundana do que pelo conhecimento das coisas de Deus. Sua fé parecia vacilante, e ele era perseguido todos os dias pela dúvida de que a hóstia consagrada fosse verdadeiro Corpo de Cristo e o vinho Seu verdadeiro Sangue. Mas a Graça Divina nunca o abandonou, fazendo-o orar continuamente para que esse insidioso espinho saísse do seu coração.
  
         Foi quando, certa manhã, celebrando a Santa Missa, mais do que nunca atormentado pela sua dúvida, após proferir as palavras da Consagração ele viu a hóstia converter-se em Carne viva e o vinho em Sangue vivo. Sentiu-se confuso e dominado pelo temor diante de tão espantoso milagre, permanecendo longo tempo transportado a um êxtase verdadeiramente sobrenatural. Até que, em meio a transbordante alegria, o rosto banhado em lágrimas, voltou-se para as pessoas presentes e disse:
  
         "Ó bem-aventuradas testemunhas diante de quem, para confundir a minha incredulidade, o Santo Deus quis desvendar-se neste Santíssimo Sacramento e tornar-se visível aos vossos olhos. Vinde, irmãos, e admirai o nosso Deus que se aproximou de nós. Eis aqui a Carne e o Sangue do nosso Cristo muito amado!"
  
         A estas palavras os fiéis se precipitaram para o altar e começaram também a chorar e a pedir misericórdia. Logo a notícia se espalhou por toda a pequena cidade, transformando o monge num novo Tomé.
           A Hóstia-Carne apresentava, como ainda hoje se pode observar, uma coloração ligeiramente escura, tornado-se rósea se iluminada pelo lado oposto, e tinha uma aparência fibrosa; o Sangue era de cor terrosa (entre amarelo e o ocre), coagulado em cinco fragmentos de formas e tamanhos diferentes.
  
         Serenada a emoção de que todo o povo foi tomado, e dadas aos Céus as graças devidas, as relíquias foram agasalhadas num tabernáculo de marfim, construído a mando das pessoas mais credenciadas do lugarejo.
  
         A partir de 1713, até hoje, a Carne passou a ser conservada numa custódia de prata, e o Sangue, num cálice de cristal.           Os Frades Menores Conventuais guardam o Milagre desde 1252, por vontade de Landulfo, bispo da vila de Chieti. Os monges da Ordem de São Basílio guardaram o Milagre até 1176 e os Beneditinos até 1252.           Em 1258 os Franciscanos construíram o santuário atual, que foi transformado em 1700 de romântico-gótico em barroco. Desde 1902 as relíquias estão custodiadas no segundo tabernáculo do altar monumental, erigido pelo povo de Lanciano no centro do presbitério.
O Milagre e a Ciência
           Aos reconhecimentos eclesiásticos do Milagre, a partir de 1574, veio juntar-se o pronunciamento da Ciência moderna através de minuciosas e rigorosas provas de laboratório.
  
         Foi em 18 de novembro de 1970 que os Frades Menores Conventuais decidiram, devidamente autorizados, confiar a dois médicos de renome profissional e idoneidade moral a análise científica das relíquias. Para tanto, convidaram o Dr. Odoardo Linoli, Chefe de Serviço dos Hospitais Reunidos de Arezzo e livre docente de Anatomia e Histologia Patológica e de Química e Microscopia Clínica, para, assessorado pelo Prof. Ruggero Bertelli, Prof. emérito de Anatomia Humana Normal na Universidade de Siena, proceder aos exames.
  
         Após alguns meses de trabalho, exatamente a 4 de março de 1971, os pesquisadores publicaram um relatório contendo o resultado das análises:
  • A Carne é verdadeira carne.
  • O Sangue é verdadeiro sangue.
  • A Carne é do tecido muscular do coração (contém, em seção, o miocárdio, endocárdio, o nervo vago e, no considerável espessor do miocárdio, o ventrículo cardíaco esquerdo).
  • A Carne e o Sangue são do mesmo tipo sangüíneo (AB) e pertencem à espécie humana.
  • No Sangue foram encontrados, além das proteínas normais, os seguintes minerais: cloreto, fósforo, magnésio, potássio, sódio e cálcio. As proteínas observadas no Sangue encontram-se normalmente fracionadas em percentagem a respeito da situação seroproteínica do sangue vivo normal. Ou, seja, é sangue de uma pessoa VIVA.
  • A conservação da Carne e do Sangue, deixados em estado natural por doze séculos e expostos à ação de agentes físicos, atmosféricos e biológicos constitui um fenômeno extraordinário.
           E antes mesmo de redigirem o documento sobre o resultado das pesquisas, realizadas em Arezzo, os doutores Linoli e Bertelli enviaram aos Frades um telegrama nos seguintes termos:
                                        "E o Verbo se fez Carne!"
           E o impressionante é que é a Carne do Coração. Não a carne de qualquer parte do Corpo adorável de Jesus, mas a do músculo que propulsiona o Sangue – e portanto a vida – ao corpo inteiro; do músculo que é também o símbolo mais manifesto e o mais eloqüente do amor do Salvador por nós.           A Eucaristia é, na verdade, o dom por excelência do Coração de Jesus. "Meu Coração é tão apaixonado de amor pelos homens", disse um dia o Cristo em Parayle-Monial, revelando seu Sagrado Coração a Santa Margarida Maria. Uma paixão que o conduziu à cruz, que torna hoje presente sobre nossos altares, em nossos sacrários e até em nossos corações.           Em todo o caso, guardemos isto: na Eucaristia eu recebo o Cristo todo inteiro. É verdadeiramente que se dá e que eu como.           Tanto na hóstia como no vinho, está Jesus Cristo vivo e inteiro (corpo, sangue, alma e divindade). A comunhão eucarística existe nas duas espécies, na espécie do pão e na espécie do vinho, só que o vinho não é somente o sangue de Jesus, mas sim o próprio Jesus. E da mesma forma a hóstia não é somente carne, mas sim o próprio Jesus. O que aconteceu em Lanciano, acontece em todas as igrejas do mundo e em qualquer missa, a única diferença é que lá em Lanciano além de transubstanciar a substância (pão e vinho), transubstanciou-se também a aparência.
"Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a
vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia" (Jo 6,54).

As almas do purgatório, o bem da Santa Missa


O AMIGO CELESTIAL DE PADRE PIO


As aparições para Pio começaram quando ele era ainda uma criança. O pequeno Francisco não falava de suas aparições porque acreditava que elas ocorriam a todas as almas. As aparições eram de Anjos, de Santos, de Jesus, de Nossa Senhora mas, às vezes, também de diabos. Nos últimos dias do mês de dezembro de 1902, enquanto Francisco estava meditando sobre sua vocação teve uma visão. Aqui está a descrição que ele disse, depois de vários anos, ao seu confessor. 


Ele viu ao seu lado um homem imponente, de beleza rara, resplandecente como o sol, e que o pegou pela mão e o encorajou com este convite: “Venha comigo porque é conveniente lutar como um bravo guerreiro”. Francisco foi conduzido a um grande campo, entre uma multidão de homens, que estava dividida em dois grupos. Em um grupo havia homens com uma face muito bonita e vestidos com roupas brancas, brancas como a neve, e no outro grupo havia homens de aspecto horrível, vestidos com roupas pretas. Eles pareciam sombras.
 


Francisco estava no meio dos dois grupos de espectadores e viu um homem alto, tão alto que podia tocar com a testa as nuvens, tinha um rosto medonho e veio ao seu encontro. O personagem resplandecente que estava a seu lado exortou Francisco a lutar contra o homem monstruoso. Francisco rezava para evitar a fúria daquele homem horrendo, mas o homem luminoso não aceitou, e disse: - Sua resistência é inútil, lute, pois vale a pena lutar contra este caráter ruim. Por favor, seja fiel e peleje confiante e arevidamente, eu estarei perto de você. Eu o ajudarei e não permitirei que ele o derrote.
 


Encorajado Francisco iniciou a luta, e ela foi terrível. Com a ajuda do homem luminoso que sempre estava perto dele, Francisco ganhou a briga. O homem monstruoso foi forçado a correr e ele arrastou toda aquela multidão grande de homens de aspecto pavoroso, entre uivos, maldições e gritos. A outra multidão de homens, de aspecto bonito, gritava elogios e aplaudia quem tinha ajudado o pobre Francisco naquela grande batalha. O homem esplêndido e luminoso, mais luminoso que o sol, colocou na cabeça do vitorioso Francisco uma coroa maravilhosa, que não é possível descrever.
 


Mas a coroa foi retirada da cabeça de Francisco e o bom homem disse: “Outra coroa, mais bonita que esta, eu preservei para você. Se você souber lutar com aquele homem horrível, como você lutou agora. Ele sempre voltará à agressão...combata com bravura e não terá qualquer dúvida de minha ajuda... não se preocupe com a força dele... eu estarei sempre perto de você, eu sempre o ajudarei, e você será vencedor. Tal visão foi seguida por reais batalhas contra o Diabo. Padre Pio enfrentou com efeito, várias batalhas contra o “inimigo das almas”, e o seu propósito era de arrancar as almas das cadeias de Satanás.

PIO E A ALMA DO PURGATÓRIO

Numa tarde o padre Pio estava em um quarto, localizado na parte baixa do convento, destinado para casa de hóspedes. Ele estava só e descansando sobre o sofá, quando de repente, apareceu um homem envolto em uma capa preta. O padre Pio, surpreso, ergueu-se e perguntou para o homem quem ele era e o que ele queria. 


O estranho respondeu que era uma alma do Purgatório. "Eu sou Pietro Di Mauro". Disse-lhe então: "eu morri em um incêndio neste convento, em 18 de setembro de 1908. Na realidade esse convento, depois da desapropriação dos bens eclesiásticos, tinha sido transformado em uma casa de repouso para anciões. Eu morri entre as chamas quando eu estava dormindo, em meu colchão feito de palha, exatamente neste quarto. Eu venho do Purgatório: O bom Deus, deixou-me vir até aqui e lhe pedir que celebre para mim a santa missa de amanhã de manhã para o meu descanso eterno. Graças a esta Missa eu poderei entrar no Paraíso".
 


Padre Pio falou para o homem que ele teria a missa santa para a sua alma.. o Padre Pio contou: "Eu, queria leva-lo até a porta do convento para me despedir quando repentinamente para minha surpresa ele desapareceu. Eu seguramente percebi que havia falado com uma pessoa morta, na realidade, tenho que admitir que eu reentrei no convento bastante amedrontado. O Padre Superior do convento, Monsenhor Paolino de Casacalenda, notou meu nervosismo, e então contei-lhe o que havia acontecido . Ai então lhe pedí a permissão para celebrar a Santa Missa da manhã seguinte em voto daquela alma necessitada.
 


Alguns dias depois, Padre Paolino, despertado pela curiosidade foi até o escritório de registro de óbitos da comunidade de St. Giovanni Rotondo, e pediu a permissão para consultar o livro de registro de óbitos do ano de 1908. Após a consulta ele pode então verificar que a história do Santo Padre Pío era verdadeira, pois no registro relacionado às mortes do mês de setembro, Padre Paolino achou o nome, o apelido e a razão da morte: No dia 18 de setembro de 1908, no incêndio da casa de repouso morreu o Sr. Pietro Di Mauro.

CELEBRANDO A SANTA MISSA

A Sra. Cleonice Morcaldi, de San Giovanni Rotondo era seguidora espiritual do padre Pio. Depois de um mês da morte de sua mãe, Padre Pio chegou para a Sra. Cleonice após o termino da confissão e disse: "Nesta manhã a sua mãe foi para Céu eu a vi enquanto estava celebrando a Santa Missa." Por isso queira decidir a data em que devo celebrar uma missa oferecendo o descanso eterno à alma de sua mãe.

OUTRA ALMA DO PURGATÓRIO

Padre Pio contou a seguinte história a Padre Anastasio: 

"Uma tarde, enquanto eu estava rezando só, eu ouvi o sussurro de um terno e eu vi um monge jovem que se mexeu próximo ao altar. Parecia que ele estava espanando os candelabros e regando os vasos das flores. Eu pensei que ele era o Padre Leone, que estava reestruturando o altar, e como era a hora do jantar, eu fui próximo a ele e lhe falei: Padre Leone, vá jantar, não está na hora de espanar e consertar o altar".
 


Mas uma voz que não era a voz do padre Leone me respondeu: Eu não sou o Padre Leone. Então perguntei: quem é você? A voz então respondeu - "Eu sou um irmão seu que fez o noviciado aqui. Minha missão era limpar o altar durante o ano do noviciado. Desgraçadamente, durante todo esse tempo eu não reverenciei a Jesus Sacramentado Deus todo Poderoso, em nenhuma das vezes em que passava em frente ao altar.
 


Causei grande aflição ao sacramento santo por causa da minha irreverência. Por esse descuido sério eu ainda estou no Purgatório. Agora, Deus, com a sua bondade infinita, enviou-me aqui para que você estabeleça o dia em que eu passarei a desfrutar o Paraíso. É para você cuidar de mim.. Padre Pio nos conta: "Eu creio ter sido generoso com aquela alma de sofrimento e assim exclamei: 'você estará amanhã pela manhã no Paraíso, quando eu celebrar a Santa Missa.' "
 


"Aquela alma chorou e disse: 'Cruel de mim, que malvado eu fui'. Então chorou e desapareceu. Aquela exclamação me produziu uma ferida no coração, que eu senti e sentirei a vida inteira. Na realidade eu teria podido enviar aquela alma imediatamente ao Céu, mas eu o condenei a permanecer outra noite nas chamas do Purgatório.”

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Um pequeno testemunho do Cardeal Van Thuan

O Cardeal Vietnamita Van Thuan ficou preso sob o governo comunista durante 13 anos.
As condições da prisão não eram favoráveis. Durante alguns meses esteve confinado numa cela minúscula, sem janela, úmida, que para respirar passava horas com o rosto enfiado num pequeno buraco no chão. A cama era coberta de fungos.
Os nove primeiros anos foram terríveis: uma tortura mental, no vazio absoluto, sem trabalho,
caminhando dentro da cela desde a manhã às nove e meia da noite para não ser destruído
pela artrose, no limite da loucura.
Buscava conversar com os carcereiros, que resistiam, mas logo eram seduzidos por sua gentileza e
inteligência. Contava-lhes sobre países e culturas diferentes. Isso chamava sua atenção e instigava a curiosidade. Logo começavam a fazer perguntas, o diálogo se estabelecia, a amizade se enraizava. Chegou a dar aulas de inglês e francês.
No começo, a cada semana os guardas eram substituídos, mas logo as autoridades, para evitar que o
exército todo fosse “contaminado”, deixou uma dupla de carcereiros fixa. Estes espantavam-se de como o prisioneiro pudesse chamar de amigos os seus carcereiros, mas ele afirmava que os amava porque esse era o
ensinamento de Jesus.
Faleceu em Roma no dia 16 de setembro de 2002, depois de uma dolorosa doença.
“A minha experiência pessoal
“A celebração faz do sacerdote um santo. É por causa disto que eu quero compartilhar com vocês a minha experiência eucarística, assim como a experiência de outras pessoas íntimas que me marcaram com a sua fé, com a sua devoção à Eucaristia.
No seminário, minha formação se inspirou na vida do Cura D´Ars, são João Maria Vianney, e do Padre Pio. Eles me acompanharam durante toda a vida sacerdotal. Quando eu celebrava sozinho na prisão, João e Pio estavam sempre diante de mim e celebravam comigo. Foi graças ao seu sacrifício e ao seu amor pela Eucaristia que eu pude sobreviver na prisão. Lembro-me de que o Padre Pio celebrava a missa não em vinte ou trinta minutos, mas em uma hora, uma hora e meia. Ninguém reclamava da duração da missa, porque todos estavam fascinados pela sua maneira de celebrar, inclusive os bispos que assistiam.
Entretanto, algumas pessoas mal-intencionadas pediram ao Santo Ofício que o proibisse de celebrar a Eucaristia desta forma, e então o Padre Pio foi obrigado a celebrar a missa em no máximo 45 minutos. O Padre Pio obedeceu à ordem, mas os fiéis pediram à Santa Sé a permissão para o frade celebrar a missa como antes, e Pio XII deu a autorização.
Alguém perguntou a São João Maria Vianney porque às vezes ele chorava e outras vezes sorria quando celebrava a missa. Ele respondeu que sorria quando pensava no dom da presença de Jesus na Eucaristia e chorava quando pensava nos pecadores que não podem receber tal dom.
Quando fui preso, retiraram todos os meus pertences, mas me permitiram escrever para casa e pedir roupa e remédios. Eu pedi que me enviassem vinho em frascos de remédio para o estômago. No dia seguinte, o diretor da prisão me chamou para perguntar se eu estava mal do estômago, e se tinha algum remédio. Depois de escutar as minhas respos-tas afirmativas, me entregou um pequeno frasco de vinho com uma etiqueta que dizia “remédio para a dor de estômago”.
Este foi um dos dias mais felizes da minha vida! Desta forma eu pude celebrar a missa dia após dia, com três gotas de vinho e uma gota d´água na palma da mão e com um pouco de hóstia que me davam para a celebração, e que eu guardava com muito cuidado contra a umidade.
Depois, quando estava com outras pessoas de fé católica, era abastecido de vinho e de hóstias, que os seus familiares levavam quando iam visitá-los. De um modo ou de outro, eu quase sempre pude celebrar a missa, sozinho ou acompanhado. Celebrava depois das nove e meia da noite, porque a essa hora não havia luz e conseguíamos juntar umas seis pessoas. Todos dormiam numa cama comum, 25 em cada parte. Cada um dispunha de 50 centímetros: estávamos como sardinhas…
Quando celebrava e dava a comunhão, secávamos o papel dos maços de cigarro dos prisioneiros e, com arroz, os pregávamos para fazer uma pequena bolsa na qual colocávamos o Santíssimo.
Todas as sextas-feiras tínhamos uma aula de marxismo, e todos eram obrigados a participar. Depois havia um pequeno intervalo, e era quando os cinco católicos levavam o Santíssimo a outros grupos. Eu também o levava num pequeno pacote que colocava na minha bolsa, e assim a presença de Jesus me ajudava a ser corajoso, generoso, amável, e a dar testemunho de fé e de amor aos outros.
A presença de Jesus fazia maravilhas, porque entre os católicos também havia alguns que eram pouco fervorosos, menos praticantes… Havia ministros, coronéis, generais e, na prisão, cada um em particular fazia uma Hora Santa todas as tardes, uma hora de adoração e de oração diante de Jesus eucarístico.
Assim, na solidão, na fome… uma fome terrível, foi possível sobreviver. Desta maneira dávamos testemunho na prisão.
A semente tinha sido semeada.  Ainda não sabíamos como ia germinar, mas pouco a pouco, um a um, budistas, membros de diversas religiões, inclusive fundamentalistas hostis ao catolicismo manifestavam o desejo de ser católicos. Nos tempos livres eu ensinava catecismo a todos juntos. Batizava às escondidas e… era até padrinho.
A presença da Eucaristia mudou a prisão, que era lugar de vergonha, de tristeza, de ódio e que tinha se transformado em lugar de amizade, de reconciliação e em escola de catecismo. Sem saber, o governo tinha feito uma escola de catecismo!
A presença da Eucaristia é muito forte, a presença de Jesus é irresistível. Eu e todos os meus companheiros de prisão somos testemunhas disto…”